28/10/11
FACULDADE DE MIRANDÓPOLIS - 1º, 2º E 4º TERMOS - O NOVO ACORDO ORTOGRAFICO
O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO
Uma abordagem a respeito da acentuação gráfica e do uso ou não de hífen em palavras que possuam prefixo ou sufixo.
HISTÓRICO
Em 2008, o Brasil, pelo seu Congresso Nacional, aprovou o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa instituído em 1990. É tentativa de unificar a escrita da língua portuguesa falada nos países que aderiram ao acordo, quais sejam: Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Além do mais, objetiva ainda simplificar suas regras ortográficas e, com isso, aumentar o prestígio internacional da língua.
• Nossa sorte é que, para nós, brasileiros, as alterações são poucas. A mudança representa apenas cerca de 0,5% do Português do Brasil.
• Quanto à uniformização da língua portuguesa, há um engano, na opinião de alguns linguistas, com a qual concordamos plenamente. Isso porque uma língua não pode ser confundida com sua ortografia. A ORTOGRAFIA é o aspecto mais superficial da escrita da língua, dependente de convenções impostas.
• A Língua Portuguesa pós-acordo continuará sendo a mesmíssima. Diferenças que distingue o Português dos diversos países lusófonos, tanto na pronúncia como no vocabulário e na gramática, em nada serão afetadas e seria absurdo julgar que pudessem sê-lo, pois uma língua não muda por meio de acordos ou leis, mas pelas transformações que seus usuários (falantes ou escritores) produzem nela ao longo do tempo.
• O que certamente mudará com o Acordo será sobretudo a maneira de acentuar algumas palavras, o que torna descabido pensar que houve uma grande reforma destinada a uniformizar o uso da língua. A abolição do trema, por exemplo, que já não era mesmo utilizado, facilitará o a-prendizado e à prática da ortografia. De resto, senhores, as regras do uso do hífen — que já eram ruins e inutilmente complicadas — foram substituídas por outras, não melhores e nem menos complicadas, como veremos adiante.
• Em suma, na opinião deste mero e simples professor, a reforma foi imposta para atender lobistas regiamente pagos pelas editoras, visando, claro, ao interesse delas e não dos falantes da língua.
• Considerações pessoais à parte, vamos, pois, ao que interessa.
EM QUE CONSISTIU A REFORMA ORTOGRÁFICA?
• 1. O alfabeto da Língua Portuguesa passou a ter 26 letras – a,b,c,d,e,f,g,h,i, j, K, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, W, x, Y, z.
• Na prática, nada mudou, porque as letras acrescidas — W K e Y, que já eram usadas! — continuarão a ser utilizadas na escrita de símbolos de unidades de medida (km, kg, W ); em pala-vras e nomes estrangeiros e seus derivados, como Shakespeare, Newton, William, show, play-ground etc…)
• Contudo, embora tenha atingido 0,5 do nosso léxico, embora tenha sido meta de lobistas, a reforma está em vigência. Logo…
• É necessário, pois, que saibamos quais foram essas principais mudanças ortográficas para, doravante, escrevermos, conforme o Novo Acordo. Muitos brasileiros costumam minimizar a importância da Língua Portuguesa no nosso cotidiano. Fica a impressão de que a Língua tem pouco valor.
• GRANDE ENGANO. Só pelo fato de ela ser a Língua que nos serve de comunicação no dia-a-dia já seria o suficiente para darmos a importância que ela realmente merece. Por isso, pre-cisamos conhecer sua fonética, sua morfologia, sua sintática, sua semântica e, agora, mais restri-tamente, sua ortografia, em razão de, como país falante da Língua Portuguesa, termos assinado o NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO.
• DEVEMOS, ASSIM, COMO BRASILEIROS QUE A UTILIZAMOS PARA NOSSA COMUNICA-ÇÃO, SABER QUAIS SÃO ESSAS ALTERAÇÕES.
• OU VAMOS RELAXAR E PREFERIR FICAR NO COMODISMO COMO MUITOS?
O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO…
O QUE SABER?
• Com o Acordo,
• 1. o alfabeto passou a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k”, “w” e “y”;
• 2. O texto traz alterações significativas na acentuação de algumas palavras;
• 3. extingue o uso do trema;
• 4. e padroniza a utilização do hífen.
• A partir de agora, como exemplo ilustrativo, não será inadequado escrever “micro-ondas” –com hífen– e “antissocial” –sem hífen. Também é correta a grafia das palavras “ideia” e “assembleia” sem acento.
• No Brasil, conforme estabelecido, no ano de 2009, a vigência não foi obrigatória; entre 2010 e 2012, os livros didáticos, por suas editoras, deveriam adequar-se às novas regras, o que ocorre. E a partir de 2013, observância ampla e geral dos termos do AOLP.
NO QUE TANGE À ACENTUAÇÃO:
• Muitos perguntam: e agora?
• Pôr, verbo, continua com acento? Piauí, continuamos acentuando? Papéis ainda leva acento
REGRAS ATUAIS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
• Antes, vamos recordar alguns conhecimentos necessários para que entendamos a acentuação gráfica?
• PRESSUPOSTOS:
• 1. QUANTO AO NÚMERO DE SÍLABAS.
• Sabemos que há:
• MONOSSÍLABAS – sol, vez, tu, si, nós, noz, paz, pás etc.;
• DISSÍLABAS – sonhar, livro, ritmo, bíceps, milho, etc;
• TRISSÍLABAS – janela, guerreiro, enxaguar, Europa etc.; POLISSÍLABAS - estudante, amígdala (ou amídala), universidade, paralelepípedo etc.
• Para efeitos de acentuação gráfica, aparecem as MONOSSÍLABAS, como veremos.
QUANTO AO ACENTO TÔNICO (a sílaba pronunciada mais forte).
• Temos:
• OXÍTONAS –
• a tônica (forte) recai sobre a última sílaba - funil, parabéns, rapaz, saci, avô, café, aqui etc.
• (Lembremo-nos de que há uma sílaba tônica (mais forte) e se na palavra houver mais de uma sílaba, as demais que não são tônicas são denominadas de ÁTONAS).
• Rápido – RÁ – silaba tônica – PI e DO – sílabas átonas.
• PAROXÍTONAS –
• a tônica recai na penúltima sílaba – escola, retorno, bisteca, afável, entes etc.;
• PROPAROXÍTONAS –
• a tônica recai na antepenúltima sílaba - público, rápido, câmera etc.
• Não nos esqueçamos de que os MONOSSÍLABOS podem ser TÔNICOS ou ÁTONOS.
• Melhor lembrarmo-nos logo das formas linguísticas que são consideradas MONOSSILA-BAS ÁTONAS –
• trata-se:
• dos ARTIGOS (o, os, a, as, um, uns);
• das PREPOSIÇÕES com uma só sílaba (com, de, sob, a, por…);
• das CONJUNÇÕES com uma só sílaba (mas, ou, se, nem, pois, que, e); dos PRONOMES PESSOAIS OBLÍQUOS – me, te, se, nos, vos, se, o, os, a, as, lhe, lhes);
• PRONOME RELATIVO – que;
• COMBINAÇÕES E CONTRAÇÕES DE PREPOSIÇÃO – (ao, do, da, no, à, na, das, dos, nos, nas.)
• Já os MONOSSÍLABOS TÔNICOS se encontram em outras classes de palavras, como flor, sol, mar (substantivos); mau, má, bom (adjetivos); pôr, dá, dê, vi, vim (verbo); nós, vós, tu, mim, ti (pronomes); cá, lá, já, bem, mal (advérbios)
QUANTO AOS ENCONTROS VOCÁLICOS
• DITONGOS – junção de vogal mais semivogal, ou vice-versa, numa mesma sílaba – boi, saudável, asteroide, pátria, gênio etc.
• HIATO – dois elementos vocálicos seguidos, mas em silabas diferentes – saída, saúva, caíste, país, voo, creem etc.
• OBS – Há ainda o TRITONGO que é a junção de semivogal mais vogal mais semivogal numa mesma sílaba. – UrugUAI – sagUÕEs – igUAIs, etc. Não obstante, é bom lembrar que os tritongos não entram nas regras de acentuação, ou seja, não são casos de palavras que levem acento.
Vamos agora às regras atuais de acentuação gráfica.
• A primeira parte, constate, é um JOGO entre A, E, I, O, U, EM, ENS.
• Tente entender:
• 1. MONOSSÍLABOS.
• a) Acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em – A, E, O, seguidos ou não de –S: cá, dá, vá, Brás, gás, más, pás, vás, crê, dê, fé, lê, pá, ré, crês, mês, pés, rês, dó, pó, sós, nós, cós, pôs, pós, etc.
• OBS – Se houver formas verbais monossílabas terminadas em R, S, Z, lembrem-se de que se transformam em L na junção com o pronome oblíquo (o, a, os, as) e o verbo, sendo monossíla-bo tônico, será acentuado ou não, de acordo com as regras que estamos estudando. Verifique: dá-lo, fá-lo-ás, vê-los, tê-las-íamos, pó-lo-emos, pu-lo, etc.
• Em compensação, NÃO SE ACENTUAM os monossílabos átonos (vistos acima); nem os monossílabos tônicos terminados em I e U, seguidos ou não de S, e nem os terminados em EM, ENS.
• Verifique: te, lhe, uns, sob, mas, por, tu, xis, bem, cem, sem etc.
• OXÍTONOS
• b) Acentuam-se os oxítonos terminados em – A, E, O seguidos ou não de –S – também os terminados em EM e ENS. – cajá, Pará, quiçá, satanás, aliás, rapé, sapé, você, através, pontapés, paletó, dominó, avós, compôs, cipós, amém, parabéns, também, ninguém, vinténs, Jerusalém…
• OBS – Se houver formas verbais terminadas em R, S, Z, lembrem-se de que se transfor-mam em L na junção com o pronome oblíquo (o, a, os, as) e o verbo se torna palavra oxítona que poderá ou não ser acentuada, de acordo com as regras que estamos estudando. Constate – Con-tar uma história – Contá-la; Vender um peixe – vendê-lo; Pus o livro – Pu-lo; Traz os cadernos – Trá-los; Fazer o dever – Fazê-lo; Compor a música - Compô-la.
• c) Não se acentuam os oxítonos terminados em I, U, seguidos ou não de S - Parati, quatis, urubu, obus, Bauru, etc.
• PAROXÍTONOS
• d) Não se acentuam os paroxítonos terminados em A, E, O, seguidos ou não de –S, bem como os terminados em EM, ENS. bola, bela, canetas, hereges, higiene, bolo, bolos, socos, nu-vem, hifens, etc.
• e) Acentuam-se todos os demais.
• Para efeito de exercício mnemônico – guarde lá – EI, PS, UM XURI NÃO (dá) LÃ – que são os terminados em EI, PS, UM, UNS, X, U, US, R, I, IS, N, ÃO, ÃOS, L, Ã, ÃS. – pônei, fórceps, álbum, látex, meinácus, ábu, éter, júri, tênis, hífen, acórdãos, afável, afáveis, ímã, ímãs…
• PROPAROXÍTONOS
• f) Acentuam-se todas, independente do fonema com que termine. - acústico, cálida, cátedra, cônsules, cócega, hélices, hipódromo, pássaro, sábado, quiséssemos, trânsito, Verônica, ínterim, Sócrates etc.
EM RESUMO
• MONOSSILABAS – acentuamos terminadas em – A, E, O (s) // Não acentuamos – I, U (s) – EM, ENS – Nem as monossílabas átonas.
• OXÍTONAS – acentuamos – A, E, O (s) EM, ENS – Não acentuamos – I, U (s)
• PAROXÍTONAS – Não acentuamos – A,E,O (s) – EM, ENS – acentuamos todas as demais (lembremo-nos UM XURI NÃO (dá) LÃ, EI, PS.
• PROPAROXÍTONAS – acentuamos todas – independentemente da vogal ou consoante com que termine.
• PERCEBA O JOGO QUE DISSEMOS – A, E, O, EM, ENS.
ENCONTROS VOCÁLICOS
• A) DITONGOS
• g) acentuam-se os ditongos abertos monossílabos e oxítonos em EI, EU, OI, seguidos ou não de –S. réis (moeda), géis, méis, véu, céu, réus, léu, sóis, dói, rói, papéis, anéis, fiéis, cordéis, troféu, ilhéu, fogaréu, herói, anzóis, lençóis, faróis, constrói, etc.
• ATENÇÃO – Os ditongos paroxítonos, portanto, não são mais acentuados – ideia, colmeia, pauliceia, heroico, estoico, etc.
• h) acentuam-se os ditongos átonos finais – áurea, náusea, vôlei, argênteo, férias, lírio, tênues, bilíngue, árduo, calvície, vivência, lábios, imundície etc.
• B) HIATOS
• i) Acentua-se a segunda vogal I e U, tônicas, dos hiatos, quando formar sílaba sozinha ou com –S, desde que não seguida de –NH – açaí, amiúde, baú, atraí, Araújo, egoísta, balaústre, Jaú, Juízo, reúne, suíço, saúde, sanduíche, cafeína, raízes, ruína, Luísa, Luís, etc.
• Contudo, não se acentuam, quando após I ou U, mesmo tônico, vier NH ou outra letra qualquer que não seja S – bainha, campainha, juiz, raiz, ruins, demiurgo, influir, paul, Raul, Coim-bra, ruim, Luiz, moinho etc.
• j) Não se acentua nas palavras paroxítonas o I e o U tônicos precedidos de ditongo – baiuca, bocaiuva, cheiinho, feiinho, feiudo, feiura, maoismo, taoismo, etc.
• ATENÇÃO – os hiatos OO, EEM, não levam mais acento – voo, voos, creem, descreem, deem, leem, veem etc.
• GRUPO GU, QU
• k) Não se emprega mais o trema, exceto em palavras estrangeiras e derivadas – Hübner, hübneriano, etc
• Assim, hoje se escreve – aguenta, frequente, linguiça, etc.
• ACENTO DIFERENCIAL
• Continuam como acento diferencial:
• l) pôde (pretérito – pode (presente) - pôr (verbo) por (preposição) – ele tem, eles têm, ele vem, eles vêm. detém, detêm, intervém, intervêm, etc.
• OBS – é facultativo o uso do acento em fôrma/forma, desde que garanta a clareza na frase.
• Não se acentua mais – pera, polo, para etc – o contexto é que dirá - O motorista para no semáforo. Vê se você para de mexer com isso… Ela foi para São Paulo.
FAÇAMOS AGORA, UM DEMONSTRATIVO DO QUE MUDOU E DO QUE PERMANECEU, APENAS PARA EFEITO DE FIXAÇÃO
• O QUE MUDA
• *TREMA
• Não se usa mais o trema nos grupos QUE/QUI/GUI/GUE para indicar que o U era pronunciado e átono – tranquilo, aguentar, frequência, linguiça, desmilinguido, equino, etc .
• O QUE PERMANECE IGUAL
• Só permanecerá nas palavras estrangeiras e derivadas que levam o trema.
• Müller, Hübner, hübneriano etc.
• * DITONGOS ABERTOS EI e OI NAS PALAVRAS PAROXÍTONAS.
• Não devemos mais acentuar os ditongos tônicos abertos EI e OI em palavras que sejam PAROXÍTONAS –
• ideia, assembleia, colmeia, celuloide, boia, boleia, Coreia, epopeia, jiboia, heroico, paranoico, tramoia, joia, geleia, etc
• Contudo, continuam acentuadas as palavras monossílabas e as oxítonas terminadas em EI(S) EU (S), OI(S)
• réis, papéis, céu, troféu, herói, dói, etc.
• * HIATO –
• I e U TÔNICOS DEPOIS DE DITONGOS EM PALAVRAS PAROXÍTONAS.
• Não se acentuam mais I e U tônicos que aparecem depois de ditongo em palavra paroxítona.
• Baiuca, feiura, maoismo, taoismo, Bocaiuva, cheiinho, etc
• * Contudo, continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas com I e U na posição final depois de ditongo.
• Piauí, teiú, teiús, tuiuiú, tuiuiús etc.
• * A TERMINAÇÃO EEM DOS VERBOS “DELECREVE” E DERIVADOS (DAR, LER, CRER E VER) NÃO MAIS SE ACENTUAM – deem, leem, creem, veem, descreem, releem etc.
• DA MESMA MANEIRA, AS TERMINAÇÕES EM OO(S) – voo, enjoo, abençoo, voos, zoo, etc.*)
• *ACENTO DIFERENCIAL
• Não se usa mais o acento diferencial em membros de alguns pares – para, pela, pelo, polo, pera, forma (o contexto é que determinará qual é o significado
• Contudo, há acentos diferenciais que permaneceram –
• pode/pôde; pôr/por; têm/tem; vêm/vem e derivados como retém/retêm; advém/advêm; man-tém/mantêm etc
• *OS VERBOS ARGUIR e REDARGUIR
• Não se usa mais o acento agudo no U tônico das formas rizotônicas do presente do indicativo e do subjuntivo
• – arguo, arguis, argui, argúem, argua, arguas, argua, arguam etc.
O EMPREGO DO HÍFEN
• Certamente, o emprego do hífen é o item mais embaraçoso do novo Acordo Ortográfico, como, aliás, já fora no anterior. O que consta do VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portu-guesa) é o que vale.
• De modo geral, usamos o hífen em palavras compostas formadas por COMPOSIÇÃO (quando se juntam lexema + lexema):
• Decreto-lei, guarda-chuva, conta-gotas, afro-brasileiro, obra-prima (exceto naqueles em que se perdeu, em certa medida, a noção de composição, como em “girassol”, “mandachuva”, “paraquedas” etc.
• Quando falamos em TOPÔNIMOS (nome de lugares)- com GRÃ ou GRÃO – Grã-Bretanha, grão-mestre etc.
• Nos iniciados por VERBO – Passa-Quatro;
• Nos com elementos ligados por artigo – Baía de Todos-os-Santos (conquanto não usamos, por tradição, em América do Sul, Belo Horizonte – ainda com exceção de Guiné-Bissau.
• Nos que dão nome em quaisquer espécies botânicas ou zoológicas – couve-flor, couve-de-bruxelas, mico-leão, gavião-de-penacho.
• Nos compostos com os ADVÉRBIOS -
• MAL – (palavras iniciadas com H ou com VOGAL – mal-humorado, mal-afortunado.
• BEM – (palavra iniciada com VOGAL, com QUALQUER CONSOANTE, ATÉ MESMO H – bem-aventurado, bem-conceituado, bem-humorado, bem-visto (contudo, ainda existem aqueles que são exceções pela tradição – bendizer, bendito, benfeitor etc.)
• USA-SE HÍFEN
• REGRA GERAL –
• Diante de H –
• anti-higiênico, pan-hispânico, sub-humano, super-homem
• NÃO SE USA HÍFEN
• Com os prefixos DES e IN, quando o segundo elemento perde o H-
• Desumano, inábil etc.
• Com prefixo terminado em vogal e o segundo elemento começar pela mesma vogal:
• Anti-inflamatório, anti-ibérico, auto-observação, contra-ataque, eletro-ótica, entre-eixo, micro-ondas, micro-ônibus, neo-ortodoxo, semi-interno, sobre-elevar, supra-auricular etc
• Contudo, se a vogal do segundo elemento for diferente…
• Autoescola, antiaéreo, etc
• Diante de consoante diferente de R e S:
• Anteprojeto, semicírculo etc.
• Diante de R e S, dobram-se essas letras –
• Antirracismo, antissocial, corréu etc.
• *Prefixos – pré, pró, sota, soto, vice –
• sempre diante de palavra com qualquer letra – pré-vestibular, pró-europeu, sota-capitão, soto-mestre, vice-presidente, etc
Com o prefixo RE
• Aglutina-se ao segundo elemento, mesmo quando este se inicia por E –
• reescrever, reeditar, reerguer, reencarnar, reorganizar, reincidente, reacionar, etc.
Com o prefixo C0
• Aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por O – coobrigação, coordenar, cooperar, cooptar, coautor, coenzima
•
•
• *Prefixo terminado em consoante – diante da mesma consoante –
• circum-murado, inter-regional, inter-racial, mal-limpo, sub-bibliotecário, sub-biótico, sub-braquial, super-realista, super-revista, etc.
• Diante de consoante diferente –
• intermunicipal, sublinhar, supersônico, etc.
• Diante de vogal – hiperacidez, interestadual, superinteressante, etc.
• *Prefixo SUB – diante de palavras iniciadas por B ou R
• – sub-base, sub-racial, sub-região, etc.
• Com outras palavras não iniciadas com B ou R –
• subalimentação, subchefe, subdividido, subprefeitura, subunidade, etc
• * Prefixo CIRCUM e PAN – diante de palavra iniciada por M, N e VOGAL –
• circum-navegação, pan-mágico, circum-escolar, pan-americano etc.
• No entanto,
• circuncentro, circungirar, circumpolar, circunsolar, circunvizinhança, pantropical etc.
• Cuidado – há palavras iniciadas com PAN, mas não são prefixos: pâncreas, pandora, pantaleão etc.
• *Prefixo AD – diante de palavra iniciada por D ou R –
• ad-digital, ad-renal
• Contudo:
• adjuntar, adjunto, adnasal, adjudicar, adjacente etc.
• * Prefixos EX, SEM, ALÉM, AQUÉM, RECÉM e PÓS -
• ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação, pós-operatório etc.
SUFIXOS
• * Sufixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas como AÇU, GUAÇU e MIRIM – quando o primeiro elemento termina por vogal acentuada graficamente ou quando a pro-núncia exige a distinção dos dois elementos –
• amoré-guaçu, anajá-mirim, andá-açu, capim-açu, Ceará-mirim
COMPOSIÇÃO TRADICIONAL NA LÍNGUA
• Quando se perdeu a noção de composição da palavra –
• girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc.
FALSOS PREFIXOS
• Com falsos prefixos - AERO, HIDRO, AUTO, etc.
• Aeroclube, hidroginástica, autoescola.
A ORTOGRAFIA
• Evanildo Bechara – in Gramática da Língua Portuguesa, 1ª edição, Editora Lucerna, RJ, 2006 – nos ensina que não há identidade perfeita entre os fonemas e sua representação na escrita mediante as letras do alfabeto, auxiliadas por sinais diacríticos (os acentos) e certos sinais de pontuação.
• Ressalte-se que, em geral, o sistema de grafia oficial regula-se por princípios gerais que procuram, além do uso, estabelecer razoável compromisso entre a pronúncia e a etimologia (origem e história das palavras). Quando predomina a PRONÚNCIA – a ortografia chama-se FONÉTICA; quando a ETIMOLOGIA, chama-se ETIMOLÓGICA. No Português, usa-se o sistema misto.
• Por consequência, HOJE, escreve-se com H- inicial, porque procede do advérbio latino HODIE, e FARMÁCIA, com F-inicial ( e não PH – pharmacia), porque o Ph- grego se pronuncia como F.
• Por isso, há palavras que nos “intimidam”, quando devemos grafá-las, justamente pela incerteza de sua ortografia. Basta que nos lembremos, apenas como amostra, de palavras cujas grafias nos trazem dúvidas (estão de acordo com as normas ortográficas as abaixo relacionadas):
• Exceção – pichação – tigela – berinjela – cassação – maisena – encheção – obsessão – obcecado – hombridade – úmido – espectador – esplêndido – retrós – catequese – catequizar – paralisa-ção – pretensão – pretensioso – miçanga – concessão – consciência – canjica – privilégio – jérsei – ideia – manjericão – alforje – higiene – hindu – atarraxar – xícara – chipanzé – tacha (prego) taxa (imposto) – mecha – murchar – nódoa – engolir – curtume – bulir – moela – bugiganga – manhãzinha – cristãmente – irmãmente – maçãzita – trouxe – expectativa – extraordinário – revés – jus – corréu – isenção – pajé – jirau, etc…
• TEVE DÚVIDA – DICIONÁRIO – EIS O CAMINHO!!!
GRAFIA DE CERTAS PALAVRAS OU EXPRESSÕES PARECIDAS – as que, supostamente, trazem dificuldades!!!
• 1. abaixo = interjeição, grito de indignação ou reprovação – Abaixo a ditadura!!! Ou ainda, ADVÉRBIO, com sentido de embaixo, depois, em posição inferior – Abaixo de Deus, os pais. Pegue lá abaixo. A baixo – é contrário a “DE ALTO” - Rasgou a roupa de alto a baixo!
• 2. Acerca de- significa – “a respeito de” – Falamos acerca de futebol. Cerca de – significa “durante, aproximadamente”- Falamos cerca de duas horas. A cerca de – dá ideia de distância – Fica-mos a cerca de 3 metros de distância. Há cerca de – significa “existe aproximadamente/// aproximada-mente no passado. Há cerca de mil alunos no evento. Falamos há cerca de uma hora.
• 3. Acima – significando “atrás” – Veja o exemplo citado acima. Ou então: em grau ou categoria superior – Irão os alunos que têm hoje de quinze anos acima. Ainda – em lugar superior, por cima, sobre. – Buscamos, acima de tudo, melhorar as condições. A cima – contrário a “de baixo” – Costurou a roupa de baixo a cima.
• 4. Afim – significa “semelhança, parentesco, afinidade” – São duas pessoas afins. A fim de – significa “com o propósito de, com a finalidade de” – Estudou a fim de ser aprovada.
• 5. Afora – (mesmo que “FORA”) – significa “à exceção de, exceto” – Todos irão cedo, afora você. A fora – significa “para fora” – Vivia pela vida a fora.
• 6. Aparte – pode ser o verbo “apartar” – Não aparte os animais. Ou ainda o substantivo, significando “interrupção” – O advogado recebeu um aparte do promotor. À parte – é locução adverbial, significando “de lado” – Isso será marcado à parte.
• 7. À-toa – é locução adjetiva, significando “ordinário, desprezível, sem valor” – Era um homem à-toa. A toa – é locução adverbial, significando “ao acaso, sem rumo, sem razão” - É pessoa que reclama à toa. Estava à toa na vida!!
• 8. Abaixo-assinado – é o documento – Os cidadãos entregaram abaixo-assinado ao Prefeito. Abaixo assinado – aquele ou aquela que assina embaixo – Nós, abaixo assinados, entregamos a Vossa Excelência este abaixo-assinado.
• 9- Debaixo – significa “em situação inferior” – Tomara que caia quando ninguém estiver debaixo. Ainda significa – “sob” – Jaz agora debaixo da terra. De baixo - contrário a “ a cima” – Examinei-a de baixo a cima. Ou ainda: “a parte inferior” – Ela comprou roupas de baixo.
• 10. MAS – conjunção coordenativa adversativa – dá a ideia de “oposição” – Ela irá ao cinema, mas Paulo, não. MAIS – advérbio – indicando circunstâncias de “intensidade, aumento, grandeza, supe-rioridade” – Ela é mais bonita que Júlia? Bem mais! Ainda: com ideia de “antes, preferentemente” – Mais vale um pássaro na mão que dois voando. Ou então, utilizado para indicar soma – Dois mais dois = qua-tro.
• 11. Detrás - significa “pela retaguarda” – Não diga mal de ninguém por detrás. De trás – significa “atrás” – Dizem que ela está de trás do muro.
• 12. Em vez de – significa “ em lugar de” – Em vez de comprar um sítio, comprou três. Ao invés de – significa “ao contrário de” – Pedro, ao invés de entrar na sala, saiu dela.
• 13. Enfim – significa “afinal, finalmente” – Enfim, ela chegou! Em fim – significa “ no fim” – Dizem que Ceni está em fim de carreira.
• 14. Malcriado – adjetivo – significa – “sem educação” –É um garoto malcriado. Mal criado – significa “ tratado mal” – Não cuidaram e ficou um cafezal mal criado.
• 15. Nenhum – pronome indefinido – significa “ninguém, nada” – Nenhum aluno será reprovado. NEM UM – expressão que significa “um só que fosse” – Não fabricamos, ainda, nem um carro.
• 16. Tampouco – significa ´”também não, nem – Ela não estuda tampouco trabalha. Tão pouco – expressão que significa “muito pouco” – Paula estudou tão pouco que foi reprovada.
• 17. Sobretudo – como substantivo, significa “casacão, capa” – O frio intenso nos obrigou a usar sobretudo. Ainda, em outro contexto, “especialmente, principalmente” – Estudei muito, sobretudo porque quero ser aprovado no concurso. Sobre tudo – expressão que significa “ a respeito de tudo” – Conversa-vam sobre tudo.
Porque – porquê – por que – por quê
• Porque – é a conjunção – pelo contexto, causal ou explicativa – Ele morreu, porque fumava demais (causa) – Ele morreu, porque todo ser humano é mortal (explicativa).
• Porquê – é o substantivo – equivale a “o motivo, a causa” – Não sei o porquê do choro.
• Por que – a) usado nas interrogativas diretas – no início delas – Por que você faltou ontem? b) nas interrogativas indiretas – Perguntaram por que você faltou ontem. c) significando “motivo pelo qual” “ razão” - Você bem sabe por que não compareci… Ou significando “ por qual” – Você bem sabe por que motivo não compareci.
• Por quê – usado no fim de orações interrogativas ou seguido de pausa – Você faltou por quê? Se não entendeu por quê, a obrigação era perguntar, oras.
CUIDADO COM AS SEGUINTES EXPRESSÕES:
• 1. AO NÍVEL DE (à mesma altura) – O barco estava ao nível do mar. EM NÍVEL DE (=hierarquia) – embora pouco recomendado – Isso foi resolvido em nível de governo estadual.
• 2. AO ENCONTRO DE (aproximação) – Minhas ideias vão ao encontro das suas. DE ENCON-TRO A (posição contrária) – Minhas ideias vão de encontro às suas.
• 3. EM PRINCÍPIO (em geral) – Em princípio, concordo com o que foi dito. A PRINCÍPIO (no início) – A princípio, jogava no Botafogo, depois foi jogar no Comercial.
• 4. ATRAVÉS DE – A luz do sol passou através da vidraça. Essa locução prepositiva é oriunda do verbo ATRAVESSAR. Por isso, ATRAVÉS DE significa “de um lado a outro”. Não existe – atra-vés a e tampouco através – Ela foi encontrada através o tio.
• Para orações como: Estudou através do livro / Ouviu a notícia através da rádio (inexisten-tes), use: Estudou por meio do livro / Ouviu a notícia pela rádio.
criado por paga60
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