28/10/11

FACULDADE DE MIRANDÓPOLIS - 1º, 2º E 4º TERMOS - O NOVO ACORDO ORTOGRAFICO

O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

Uma abordagem a respeito da acentuação gráfica e do uso ou não de hífen em palavras que possuam prefixo ou sufixo.

HISTÓRICO

Em 2008, o Brasil, pelo seu Congresso Nacional, aprovou o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa instituído em 1990. É tentativa de unificar a escrita da língua portuguesa falada nos países que aderiram ao acordo, quais sejam: Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Além do mais, objetiva ainda simplificar suas regras ortográficas e, com isso, aumentar o prestígio internacional da língua.
• Nossa sorte é que, para nós, brasileiros, as alterações são poucas. A mudança representa apenas cerca de 0,5% do Português do Brasil.

• Quanto à uniformização da língua portuguesa, há um engano, na opinião de alguns linguistas, com a qual concordamos plenamente. Isso porque uma língua não pode ser confundida com sua ortografia. A ORTOGRAFIA é o aspecto mais superficial da escrita da língua, dependente de convenções impostas.

• A Língua Portuguesa pós-acordo continuará sendo a mesmíssima. Diferenças que distingue o Português dos diversos países lusófonos, tanto na pronúncia como no vocabulário e na gramática, em nada serão afetadas e seria absurdo julgar que pudessem sê-lo, pois uma língua não muda por meio de acordos ou leis, mas pelas transformações que seus usuários (falantes ou escritores) produzem nela ao longo do tempo.
• O que certamente mudará com o Acordo será sobretudo a maneira de acentuar algumas palavras, o que torna descabido pensar que houve uma grande reforma destinada a uniformizar o uso da língua. A abolição do trema, por exemplo, que já não era mesmo utilizado, facilitará o a-prendizado e à prática da ortografia. De resto, senhores, as regras do uso do hífen — que já eram ruins e inutilmente complicadas — foram substituídas por outras, não melhores e nem menos complicadas, como veremos adiante.

• Em suma, na opinião deste mero e simples professor, a reforma foi imposta para atender lobistas regiamente pagos pelas editoras, visando, claro, ao interesse delas e não dos falantes da língua.

• Considerações pessoais à parte, vamos, pois, ao que interessa.

EM QUE CONSISTIU A REFORMA ORTOGRÁFICA?

• 1. O alfabeto da Língua Portuguesa passou a ter 26 letras – a,b,c,d,e,f,g,h,i, j, K, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, W, x, Y, z.

• Na prática, nada mudou, porque as letras acrescidas — W K e Y, que já eram usadas! — continuarão a ser utilizadas na escrita de símbolos de unidades de medida (km, kg, W ); em pala-vras e nomes estrangeiros e seus derivados, como Shakespeare, Newton, William, show, play-ground etc…)

• Contudo, embora tenha atingido 0,5 do nosso léxico, embora tenha sido meta de lobistas, a reforma está em vigência. Logo…

• É necessário, pois, que saibamos quais foram essas principais mudanças ortográficas para, doravante, escrevermos, conforme o Novo Acordo. Muitos brasileiros costumam minimizar a importância da Língua Portuguesa no nosso cotidiano. Fica a impressão de que a Língua tem pouco valor.

• GRANDE ENGANO. Só pelo fato de ela ser a Língua que nos serve de comunicação no dia-a-dia já seria o suficiente para darmos a importância que ela realmente merece. Por isso, pre-cisamos conhecer sua fonética, sua morfologia, sua sintática, sua semântica e, agora, mais restri-tamente, sua ortografia, em razão de, como país falante da Língua Portuguesa, termos assinado o NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO.

• DEVEMOS, ASSIM, COMO BRASILEIROS QUE A UTILIZAMOS PARA NOSSA COMUNICA-ÇÃO, SABER QUAIS SÃO ESSAS ALTERAÇÕES.

• OU VAMOS RELAXAR E PREFERIR FICAR NO COMODISMO COMO MUITOS?

O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO…

O QUE SABER?

• Com o Acordo,

• 1. o alfabeto passou a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k”, “w” e “y”;

• 2. O texto traz alterações significativas na acentuação de algumas palavras;

• 3. extingue o uso do trema;

• 4. e padroniza a utilização do hífen.

• A partir de agora, como exemplo ilustrativo, não será inadequado escrever “micro-ondas” –com hífen– e “antissocial” –sem hífen. Também é correta a grafia das palavras “ideia” e “assembleia” sem acento.

• No Brasil, conforme estabelecido, no ano de 2009, a vigência não foi obrigatória; entre 2010 e 2012, os livros didáticos, por suas editoras, deveriam adequar-se às novas regras, o que ocorre. E a partir de 2013, observância ampla e geral dos termos do AOLP.

NO QUE TANGE À ACENTUAÇÃO:

• Muitos perguntam: e agora?

• Pôr, verbo, continua com acento? Piauí, continuamos acentuando? Papéis ainda leva acento

REGRAS ATUAIS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA

• Antes, vamos recordar alguns conhecimentos necessários para que entendamos a acentuação gráfica?

• PRESSUPOSTOS:

• 1. QUANTO AO NÚMERO DE SÍLABAS.

• Sabemos que há:

• MONOSSÍLABAS – sol, vez, tu, si, nós, noz, paz, pás etc.;
• DISSÍLABAS – sonhar, livro, ritmo, bíceps, milho, etc;
• TRISSÍLABAS – janela, guerreiro, enxaguar, Europa etc.; POLISSÍLABAS - estudante, amígdala (ou amídala), universidade, paralelepípedo etc.

• Para efeitos de acentuação gráfica, aparecem as MONOSSÍLABAS, como veremos.

QUANTO AO ACENTO TÔNICO (a sílaba pronunciada mais forte).

• Temos:

• OXÍTONAS –

• a tônica (forte) recai sobre a última sílaba - funil, parabéns, rapaz, saci, avô, café, aqui etc.

• (Lembremo-nos de que há uma sílaba tônica (mais forte) e se na palavra houver mais de uma sílaba, as demais que não são tônicas são denominadas de ÁTONAS).

• Rápido – RÁ – silaba tônica – PI e DO – sílabas átonas.

• PAROXÍTONAS –

• a tônica recai na penúltima sílaba – escola, retorno, bisteca, afável, entes etc.;

• PROPAROXÍTONAS –

• a tônica recai na antepenúltima sílaba - público, rápido, câmera etc.

• Não nos esqueçamos de que os MONOSSÍLABOS podem ser TÔNICOS ou ÁTONOS.

• Melhor lembrarmo-nos logo das formas linguísticas que são consideradas MONOSSILA-BAS ÁTONAS –
• trata-se:
• dos ARTIGOS (o, os, a, as, um, uns);
• das PREPOSIÇÕES com uma só sílaba (com, de, sob, a, por…);
• das CONJUNÇÕES com uma só sílaba (mas, ou, se, nem, pois, que, e); dos PRONOMES PESSOAIS OBLÍQUOS – me, te, se, nos, vos, se, o, os, a, as, lhe, lhes);
• PRONOME RELATIVO – que;
• COMBINAÇÕES E CONTRAÇÕES DE PREPOSIÇÃO – (ao, do, da, no, à, na, das, dos, nos, nas.)

• Já os MONOSSÍLABOS TÔNICOS se encontram em outras classes de palavras, como flor, sol, mar (substantivos); mau, má, bom (adjetivos); pôr, dá, dê, vi, vim (verbo); nós, vós, tu, mim, ti (pronomes); cá, lá, já, bem, mal (advérbios)

QUANTO AOS ENCONTROS VOCÁLICOS

• DITONGOS – junção de vogal mais semivogal, ou vice-versa, numa mesma sílaba – boi, saudável, asteroide, pátria, gênio etc.

• HIATO – dois elementos vocálicos seguidos, mas em silabas diferentes – saída, saúva, caíste, país, voo, creem etc.

• OBS – Há ainda o TRITONGO que é a junção de semivogal mais vogal mais semivogal numa mesma sílaba. – UrugUAI – sagUÕEs – igUAIs, etc. Não obstante, é bom lembrar que os tritongos não entram nas regras de acentuação, ou seja, não são casos de palavras que levem acento.

Vamos agora às regras atuais de acentuação gráfica.

• A primeira parte, constate, é um JOGO entre A, E, I, O, U, EM, ENS.

• Tente entender:

• 1. MONOSSÍLABOS.
• a) Acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em – A, E, O, seguidos ou não de –S: cá, dá, vá, Brás, gás, más, pás, vás, crê, dê, fé, lê, pá, ré, crês, mês, pés, rês, dó, pó, sós, nós, cós, pôs, pós, etc.

• OBS – Se houver formas verbais monossílabas terminadas em R, S, Z, lembrem-se de que se transformam em L na junção com o pronome oblíquo (o, a, os, as) e o verbo, sendo monossíla-bo tônico, será acentuado ou não, de acordo com as regras que estamos estudando. Verifique: dá-lo, fá-lo-ás, vê-los, tê-las-íamos, pó-lo-emos, pu-lo, etc.

• Em compensação, NÃO SE ACENTUAM os monossílabos átonos (vistos acima); nem os monossílabos tônicos terminados em I e U, seguidos ou não de S, e nem os terminados em EM, ENS.
• Verifique: te, lhe, uns, sob, mas, por, tu, xis, bem, cem, sem etc.

• OXÍTONOS

• b) Acentuam-se os oxítonos terminados em – A, E, O seguidos ou não de –S – também os terminados em EM e ENS. – cajá, Pará, quiçá, satanás, aliás, rapé, sapé, você, através, pontapés, paletó, dominó, avós, compôs, cipós, amém, parabéns, também, ninguém, vinténs, Jerusalém…

• OBS – Se houver formas verbais terminadas em R, S, Z, lembrem-se de que se transfor-mam em L na junção com o pronome oblíquo (o, a, os, as) e o verbo se torna palavra oxítona que poderá ou não ser acentuada, de acordo com as regras que estamos estudando. Constate – Con-tar uma história – Contá-la; Vender um peixe – vendê-lo; Pus o livro – Pu-lo; Traz os cadernos – Trá-los; Fazer o dever – Fazê-lo; Compor a música - Compô-la.

• c) Não se acentuam os oxítonos terminados em I, U, seguidos ou não de S - Parati, quatis, urubu, obus, Bauru, etc.

• PAROXÍTONOS

• d) Não se acentuam os paroxítonos terminados em A, E, O, seguidos ou não de –S, bem como os terminados em EM, ENS. bola, bela, canetas, hereges, higiene, bolo, bolos, socos, nu-vem, hifens, etc.

• e) Acentuam-se todos os demais.

• Para efeito de exercício mnemônico – guarde lá – EI, PS, UM XURI NÃO (dá) LÃ – que são os terminados em EI, PS, UM, UNS, X, U, US, R, I, IS, N, ÃO, ÃOS, L, Ã, ÃS. – pônei, fórceps, álbum, látex, meinácus, ábu, éter, júri, tênis, hífen, acórdãos, afável, afáveis, ímã, ímãs…

• PROPAROXÍTONOS

• f) Acentuam-se todas, independente do fonema com que termine. - acústico, cálida, cátedra, cônsules, cócega, hélices, hipódromo, pássaro, sábado, quiséssemos, trânsito, Verônica, ínterim, Sócrates etc.

EM RESUMO

• MONOSSILABAS – acentuamos terminadas em – A, E, O (s) // Não acentuamos – I, U (s) – EM, ENS – Nem as monossílabas átonas.

• OXÍTONAS – acentuamos – A, E, O (s) EM, ENS – Não acentuamos – I, U (s)

• PAROXÍTONAS – Não acentuamos – A,E,O (s) – EM, ENS – acentuamos todas as demais (lembremo-nos UM XURI NÃO (dá) LÃ, EI, PS.

• PROPAROXÍTONAS – acentuamos todas – independentemente da vogal ou consoante com que termine.

• PERCEBA O JOGO QUE DISSEMOS – A, E, O, EM, ENS.

ENCONTROS VOCÁLICOS

• A) DITONGOS
• g) acentuam-se os ditongos abertos monossílabos e oxítonos em EI, EU, OI, seguidos ou não de –S. réis (moeda), géis, méis, véu, céu, réus, léu, sóis, dói, rói, papéis, anéis, fiéis, cordéis, troféu, ilhéu, fogaréu, herói, anzóis, lençóis, faróis, constrói, etc.

• ATENÇÃO – Os ditongos paroxítonos, portanto, não são mais acentuados – ideia, colmeia, pauliceia, heroico, estoico, etc.

• h) acentuam-se os ditongos átonos finais – áurea, náusea, vôlei, argênteo, férias, lírio, tênues, bilíngue, árduo, calvície, vivência, lábios, imundície etc.

• B) HIATOS

• i) Acentua-se a segunda vogal I e U, tônicas, dos hiatos, quando formar sílaba sozinha ou com –S, desde que não seguida de –NH – açaí, amiúde, baú, atraí, Araújo, egoísta, balaústre, Jaú, Juízo, reúne, suíço, saúde, sanduíche, cafeína, raízes, ruína, Luísa, Luís, etc.

• Contudo, não se acentuam, quando após I ou U, mesmo tônico, vier NH ou outra letra qualquer que não seja S – bainha, campainha, juiz, raiz, ruins, demiurgo, influir, paul, Raul, Coim-bra, ruim, Luiz, moinho etc.

• j) Não se acentua nas palavras paroxítonas o I e o U tônicos precedidos de ditongo – baiuca, bocaiuva, cheiinho, feiinho, feiudo, feiura, maoismo, taoismo, etc.

• ATENÇÃO – os hiatos OO, EEM, não levam mais acento – voo, voos, creem, descreem, deem, leem, veem etc.

• GRUPO GU, QU

• k) Não se emprega mais o trema, exceto em palavras estrangeiras e derivadas – Hübner, hübneriano, etc

• Assim, hoje se escreve – aguenta, frequente, linguiça, etc.

• ACENTO DIFERENCIAL

• Continuam como acento diferencial:

• l) pôde (pretérito – pode (presente) - pôr (verbo) por (preposição) – ele tem, eles têm, ele vem, eles vêm. detém, detêm, intervém, intervêm, etc.

• OBS – é facultativo o uso do acento em fôrma/forma, desde que garanta a clareza na frase.

• Não se acentua mais – pera, polo, para etc – o contexto é que dirá - O motorista para no semáforo. Vê se você para de mexer com isso… Ela foi para São Paulo.

FAÇAMOS AGORA, UM DEMONSTRATIVO DO QUE MUDOU E DO QUE PERMANECEU, APENAS PARA EFEITO DE FIXAÇÃO

• O QUE MUDA

• *TREMA

• Não se usa mais o trema nos grupos QUE/QUI/GUI/GUE para indicar que o U era pronunciado e átono – tranquilo, aguentar, frequência, linguiça, desmilinguido, equino, etc .
• O QUE PERMANECE IGUAL

• Só permanecerá nas palavras estrangeiras e derivadas que levam o trema.

• Müller, Hübner, hübneriano etc.

• * DITONGOS ABERTOS EI e OI NAS PALAVRAS PAROXÍTONAS.

• Não devemos mais acentuar os ditongos tônicos abertos EI e OI em palavras que sejam PAROXÍTONAS –

• ideia, assembleia, colmeia, celuloide, boia, boleia, Coreia, epopeia, jiboia, heroico, paranoico, tramoia, joia, geleia, etc

• Contudo, continuam acentuadas as palavras monossílabas e as oxítonas terminadas em EI(S) EU (S), OI(S)

• réis, papéis, céu, troféu, herói, dói, etc.

• * HIATO –

• I e U TÔNICOS DEPOIS DE DITONGOS EM PALAVRAS PAROXÍTONAS.

• Não se acentuam mais I e U tônicos que aparecem depois de ditongo em palavra paroxítona.

• Baiuca, feiura, maoismo, taoismo, Bocaiuva, cheiinho, etc
• * Contudo, continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas com I e U na posição final depois de ditongo.

• Piauí, teiú, teiús, tuiuiú, tuiuiús etc.

• * A TERMINAÇÃO EEM DOS VERBOS “DELECREVE” E DERIVADOS (DAR, LER, CRER E VER) NÃO MAIS SE ACENTUAM – deem, leem, creem, veem, descreem, releem etc.

• DA MESMA MANEIRA, AS TERMINAÇÕES EM OO(S) – voo, enjoo, abençoo, voos, zoo, etc.*)

• *ACENTO DIFERENCIAL
• Não se usa mais o acento diferencial em membros de alguns pares – para, pela, pelo, polo, pera, forma (o contexto é que determinará qual é o significado

• Contudo, há acentos diferenciais que permaneceram –
• pode/pôde; pôr/por; têm/tem; vêm/vem e derivados como retém/retêm; advém/advêm; man-tém/mantêm etc

• *OS VERBOS ARGUIR e REDARGUIR

• Não se usa mais o acento agudo no U tônico das formas rizotônicas do presente do indicativo e do subjuntivo

• – arguo, arguis, argui, argúem, argua, arguas, argua, arguam etc.

O EMPREGO DO HÍFEN

• Certamente, o emprego do hífen é o item mais embaraçoso do novo Acordo Ortográfico, como, aliás, já fora no anterior. O que consta do VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portu-guesa) é o que vale.
• De modo geral, usamos o hífen em palavras compostas formadas por COMPOSIÇÃO (quando se juntam lexema + lexema):
• Decreto-lei, guarda-chuva, conta-gotas, afro-brasileiro, obra-prima (exceto naqueles em que se perdeu, em certa medida, a noção de composição, como em “girassol”, “mandachuva”, “paraquedas” etc.

• Quando falamos em TOPÔNIMOS (nome de lugares)- com GRÃ ou GRÃO – Grã-Bretanha, grão-mestre etc.

• Nos iniciados por VERBO – Passa-Quatro;

• Nos com elementos ligados por artigo – Baía de Todos-os-Santos (conquanto não usamos, por tradição, em América do Sul, Belo Horizonte – ainda com exceção de Guiné-Bissau.

• Nos que dão nome em quaisquer espécies botânicas ou zoológicas – couve-flor, couve-de-bruxelas, mico-leão, gavião-de-penacho.

• Nos compostos com os ADVÉRBIOS -
• MAL – (palavras iniciadas com H ou com VOGAL – mal-humorado, mal-afortunado.
• BEM – (palavra iniciada com VOGAL, com QUALQUER CONSOANTE, ATÉ MESMO H – bem-aventurado, bem-conceituado, bem-humorado, bem-visto (contudo, ainda existem aqueles que são exceções pela tradição – bendizer, bendito, benfeitor etc.)

• USA-SE HÍFEN

• REGRA GERAL –

• Diante de H –

• anti-higiênico, pan-hispânico, sub-humano, super-homem

• NÃO SE USA HÍFEN

• Com os prefixos DES e IN, quando o segundo elemento perde o H-

• Desumano, inábil etc.

• Com prefixo terminado em vogal e o segundo elemento começar pela mesma vogal:

• Anti-inflamatório, anti-ibérico, auto-observação, contra-ataque, eletro-ótica, entre-eixo, micro-ondas, micro-ônibus, neo-ortodoxo, semi-interno, sobre-elevar, supra-auricular etc

• Contudo, se a vogal do segundo elemento for diferente…
• Autoescola, antiaéreo, etc

• Diante de consoante diferente de R e S:
• Anteprojeto, semicírculo etc.

• Diante de R e S, dobram-se essas letras –
• Antirracismo, antissocial, corréu etc.

• *Prefixos – pré, pró, sota, soto, vice –

• sempre diante de palavra com qualquer letra – pré-vestibular, pró-europeu, sota-capitão, soto-mestre, vice-presidente, etc

Com o prefixo RE
• Aglutina-se ao segundo elemento, mesmo quando este se inicia por E –
• reescrever, reeditar, reerguer, reencarnar, reorganizar, reincidente, reacionar, etc.

Com o prefixo C0

• Aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por O – coobrigação, coordenar, cooperar, cooptar, coautor, coenzima


• *Prefixo terminado em consoante – diante da mesma consoante –

• circum-murado, inter-regional, inter-racial, mal-limpo, sub-bibliotecário, sub-biótico, sub-braquial, super-realista, super-revista, etc.

• Diante de consoante diferente –
• intermunicipal, sublinhar, supersônico, etc.

• Diante de vogal – hiperacidez, interestadual, superinteressante, etc.

• *Prefixo SUB – diante de palavras iniciadas por B ou R

• – sub-base, sub-racial, sub-região, etc.

• Com outras palavras não iniciadas com B ou R –

• subalimentação, subchefe, subdividido, subprefeitura, subunidade, etc

• * Prefixo CIRCUM e PAN – diante de palavra iniciada por M, N e VOGAL –
• circum-navegação, pan-mágico, circum-escolar, pan-americano etc.

• No entanto,

• circuncentro, circungirar, circumpolar, circunsolar, circunvizinhança, pantropical etc.

• Cuidado – há palavras iniciadas com PAN, mas não são prefixos: pâncreas, pandora, pantaleão etc.

• *Prefixo AD – diante de palavra iniciada por D ou R –

• ad-digital, ad-renal
• Contudo:

• adjuntar, adjunto, adnasal, adjudicar, adjacente etc.

• * Prefixos EX, SEM, ALÉM, AQUÉM, RECÉM e PÓS -

• ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação, pós-operatório etc.

SUFIXOS

• * Sufixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas como AÇU, GUAÇU e MIRIM – quando o primeiro elemento termina por vogal acentuada graficamente ou quando a pro-núncia exige a distinção dos dois elementos –

• amoré-guaçu, anajá-mirim, andá-açu, capim-açu, Ceará-mirim

COMPOSIÇÃO TRADICIONAL NA LÍNGUA

• Quando se perdeu a noção de composição da palavra –

• girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc.

FALSOS PREFIXOS

• Com falsos prefixos - AERO, HIDRO, AUTO, etc.

• Aeroclube, hidroginástica, autoescola.

A ORTOGRAFIA

• Evanildo Bechara – in Gramática da Língua Portuguesa, 1ª edição, Editora Lucerna, RJ, 2006 – nos ensina que não há identidade perfeita entre os fonemas e sua representação na escrita mediante as letras do alfabeto, auxiliadas por sinais diacríticos (os acentos) e certos sinais de pontuação.

• Ressalte-se que, em geral, o sistema de grafia oficial regula-se por princípios gerais que procuram, além do uso, estabelecer razoável compromisso entre a pronúncia e a etimologia (origem e história das palavras). Quando predomina a PRONÚNCIA – a ortografia chama-se FONÉTICA; quando a ETIMOLOGIA, chama-se ETIMOLÓGICA. No Português, usa-se o sistema misto.

• Por consequência, HOJE, escreve-se com H- inicial, porque procede do advérbio latino HODIE, e FARMÁCIA, com F-inicial ( e não PH – pharmacia), porque o Ph- grego se pronuncia como F.

• Por isso, há palavras que nos “intimidam”, quando devemos grafá-las, justamente pela incerteza de sua ortografia. Basta que nos lembremos, apenas como amostra, de palavras cujas grafias nos trazem dúvidas (estão de acordo com as normas ortográficas as abaixo relacionadas):
• Exceção – pichação – tigela – berinjela – cassação – maisena – encheção – obsessão – obcecado – hombridade – úmido – espectador – esplêndido – retrós – catequese – catequizar – paralisa-ção – pretensão – pretensioso – miçanga – concessão – consciência – canjica – privilégio – jérsei – ideia – manjericão – alforje – higiene – hindu – atarraxar – xícara – chipanzé – tacha (prego) taxa (imposto) – mecha – murchar – nódoa – engolir – curtume – bulir – moela – bugiganga – manhãzinha – cristãmente – irmãmente – maçãzita – trouxe – expectativa – extraordinário – revés – jus – corréu – isenção – pajé – jirau, etc…

• TEVE DÚVIDA – DICIONÁRIO – EIS O CAMINHO!!!

GRAFIA DE CERTAS PALAVRAS OU EXPRESSÕES PARECIDAS – as que, supostamente, trazem dificuldades!!!

• 1. abaixo = interjeição, grito de indignação ou reprovação – Abaixo a ditadura!!! Ou ainda, ADVÉRBIO, com sentido de embaixo, depois, em posição inferior – Abaixo de Deus, os pais. Pegue lá abaixo. A baixo – é contrário a “DE ALTO” - Rasgou a roupa de alto a baixo!

• 2. Acerca de- significa – “a respeito de” – Falamos acerca de futebol. Cerca de – significa “durante, aproximadamente”- Falamos cerca de duas horas. A cerca de – dá ideia de distância – Fica-mos a cerca de 3 metros de distância. Há cerca de – significa “existe aproximadamente/// aproximada-mente no passado. Há cerca de mil alunos no evento. Falamos há cerca de uma hora.

• 3. Acima – significando “atrás” – Veja o exemplo citado acima. Ou então: em grau ou categoria superior – Irão os alunos que têm hoje de quinze anos acima. Ainda – em lugar superior, por cima, sobre. – Buscamos, acima de tudo, melhorar as condições. A cima – contrário a “de baixo” – Costurou a roupa de baixo a cima.

• 4. Afim – significa “semelhança, parentesco, afinidade” – São duas pessoas afins. A fim de – significa “com o propósito de, com a finalidade de” – Estudou a fim de ser aprovada.

• 5. Afora – (mesmo que “FORA”) – significa “à exceção de, exceto” – Todos irão cedo, afora você. A fora – significa “para fora” – Vivia pela vida a fora.

• 6. Aparte – pode ser o verbo “apartar” – Não aparte os animais. Ou ainda o substantivo, significando “interrupção” – O advogado recebeu um aparte do promotor. À parte – é locução adverbial, significando “de lado” – Isso será marcado à parte.

• 7. À-toa – é locução adjetiva, significando “ordinário, desprezível, sem valor” – Era um homem à-toa. A toa – é locução adverbial, significando “ao acaso, sem rumo, sem razão” - É pessoa que reclama à toa. Estava à toa na vida!!

• 8. Abaixo-assinado – é o documento – Os cidadãos entregaram abaixo-assinado ao Prefeito. Abaixo assinado – aquele ou aquela que assina embaixo – Nós, abaixo assinados, entregamos a Vossa Excelência este abaixo-assinado.

• 9- Debaixo – significa “em situação inferior” – Tomara que caia quando ninguém estiver debaixo. Ainda significa – “sob” – Jaz agora debaixo da terra. De baixo - contrário a “ a cima” – Examinei-a de baixo a cima. Ou ainda: “a parte inferior” – Ela comprou roupas de baixo.

• 10. MAS – conjunção coordenativa adversativa – dá a ideia de “oposição” – Ela irá ao cinema, mas Paulo, não. MAIS – advérbio – indicando circunstâncias de “intensidade, aumento, grandeza, supe-rioridade” – Ela é mais bonita que Júlia? Bem mais! Ainda: com ideia de “antes, preferentemente” – Mais vale um pássaro na mão que dois voando. Ou então, utilizado para indicar soma – Dois mais dois = qua-tro.

• 11. Detrás - significa “pela retaguarda” – Não diga mal de ninguém por detrás. De trás – significa “atrás” – Dizem que ela está de trás do muro.
• 12. Em vez de – significa “ em lugar de” – Em vez de comprar um sítio, comprou três. Ao invés de – significa “ao contrário de” – Pedro, ao invés de entrar na sala, saiu dela.

• 13. Enfim – significa “afinal, finalmente” – Enfim, ela chegou! Em fim – significa “ no fim” – Dizem que Ceni está em fim de carreira.

• 14. Malcriado – adjetivo – significa – “sem educação” –É um garoto malcriado. Mal criado – significa “ tratado mal” – Não cuidaram e ficou um cafezal mal criado.
• 15. Nenhum – pronome indefinido – significa “ninguém, nada” – Nenhum aluno será reprovado. NEM UM – expressão que significa “um só que fosse” – Não fabricamos, ainda, nem um carro.

• 16. Tampouco – significa ´”também não, nem – Ela não estuda tampouco trabalha. Tão pouco – expressão que significa “muito pouco” – Paula estudou tão pouco que foi reprovada.

• 17. Sobretudo – como substantivo, significa “casacão, capa” – O frio intenso nos obrigou a usar sobretudo. Ainda, em outro contexto, “especialmente, principalmente” – Estudei muito, sobretudo porque quero ser aprovado no concurso. Sobre tudo – expressão que significa “ a respeito de tudo” – Conversa-vam sobre tudo.

Porque – porquê – por que – por quê

• Porque – é a conjunção – pelo contexto, causal ou explicativa – Ele morreu, porque fumava demais (causa) – Ele morreu, porque todo ser humano é mortal (explicativa).

• Porquê – é o substantivo – equivale a “o motivo, a causa” – Não sei o porquê do choro.

• Por que – a) usado nas interrogativas diretas – no início delas – Por que você faltou ontem? b) nas interrogativas indiretas – Perguntaram por que você faltou ontem. c) significando “motivo pelo qual” “ razão” - Você bem sabe por que não compareci… Ou significando “ por qual” – Você bem sabe por que motivo não compareci.

• Por quê – usado no fim de orações interrogativas ou seguido de pausa – Você faltou por quê? Se não entendeu por quê, a obrigação era perguntar, oras.

CUIDADO COM AS SEGUINTES EXPRESSÕES:

• 1. AO NÍVEL DE (à mesma altura) – O barco estava ao nível do mar. EM NÍVEL DE (=hierarquia) – embora pouco recomendado – Isso foi resolvido em nível de governo estadual.

• 2. AO ENCONTRO DE (aproximação) – Minhas ideias vão ao encontro das suas. DE ENCON-TRO A (posição contrária) – Minhas ideias vão de encontro às suas.

• 3. EM PRINCÍPIO (em geral) – Em princípio, concordo com o que foi dito. A PRINCÍPIO (no início) – A princípio, jogava no Botafogo, depois foi jogar no Comercial.

• 4. ATRAVÉS DE – A luz do sol passou através da vidraça. Essa locução prepositiva é oriunda do verbo ATRAVESSAR. Por isso, ATRAVÉS DE significa “de um lado a outro”. Não existe – atra-vés a e tampouco através – Ela foi encontrada através o tio.

• Para orações como: Estudou através do livro / Ouviu a notícia através da rádio (inexisten-tes), use: Estudou por meio do livro / Ouviu a notícia pela rádio.

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1/8/09

FACULDADE DE MIRANDÓPOLIS - PEDAGOGIA - 1º, 2º E 4º TERMOS - 2011

FACULDADE DE MIRANDÓPOLIS - FAM
Curso: PEDAGOGIA – PRIMEIRO, SEGUNDO E QUARTO TERMOS

Disciplina – COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO

- Prof. PAGANELLI (PH)

O PRONOME

I- CONCEITO
É apenas dentro dos critérios - semântico, sintático e morfológico - que podemos con-ceituar os pronomes. Isso porque, fora do contexto, os pronomes possuem significado muito vago; mas, dentro do contexto, eles assumem seu sentido pleno. Observemos o exemplo, para que possamos en-tender o que dizemos. E vamos aproveitar a letra de uma música da MPB - que é a língua em uso con-creto - a fim de comentarmos o que nos interessa:
Samba de Orly
Toquinho e Vinicius
Vai, meu irmão, pega esse avião, você tem razão de correr assim desse frio, mas veja o meu RJ antes que um aventureiro, se mande, pede perdão pela omissão um tanto forçada, mas não diga nada que me viu chorando, e para os da pesada, diz que vou levando, e vê como é que anda aquela vida à toa, e se puder me manda uma notícia boa.
Para comentarmos a questão levantada, abordemos os pronomes - esse, você, meu, me - classificados pela gramática tradicional como, respectivamente, pronomes demonstrativo, de trata-mento, possessivo e oblíquo. Se perguntássemos a você qual é o significado desses pronomes, nem consultando um dicionário você conseguiria responder. O sentido deles, obviamente, é muito vago, quase em sentido, se os considerarmos isoladamente.
Mas, se levarmos em conta o contexto (a letra da música), tais pronomes passam a ter sentido. Algumas vezes, nem assim ele (o contexto) fornece pistas suficientes para decifrar o sentido pleno dos pronomes. Por exemplo, o autor fala em ” meu irmão” sem que, no entanto, saibamos, com certeza, de quem se trata. Fala ao “irmão”, apenas isso. E “irmão” no contexto da música, para quem lê, possui significado muito amplo, pois é forma de tratar, por exemplo, um amigo que, obviamente, o autor sabe quem é. Equivale ao tratamento “mano” (ô mano!) com que o paulistano trata seu interlocutor. Ob-serve que você, considerado isolado, nada significa. Mas, neste contexto, você faz referência justamente ao irmão. Esse, por sua vez, no contexto, está ligado ao substantivo avião. Demonstra qual é o avião e, dentro do padrão culto, o avião está próximo do interlocutor do autor. Já meu, indicativo de posse, mos-tra-nos o caráter afetivo que o autor dá ao seu interlocutor (meu irmão), à sua cidade ( meu RJ), referin-do-se a esses substantivos. O me, por sua vez, refere-se ao próprio autor do texto.
Assim, como dissemos, os pronomes, isolados, possuem pouquíssimo significado. Mas, passam, no contexto, a adquirir sentido pleno (muito embora, às vezes, mesmo num contexto, tal não ocorra com tanta clareza, como vimos).
Não obstante o que dissemos até agora, por outro lado, é preciso esclarecer o que é que os pronomes significam tanto fora quanto dentro de contexto.
II - CRITÉRIO SEMÂNTICO
A- Noção de “pessoa gramatical” ou “pessoas do discurso”.
Você já deve ter observado que, numa comunicação, sempre há a pessoa que fala (ou escreve), a que ouve (ou lê) e a de que (assunto, objeto etc) ou de quem (se for pessoa) se fala ou se escreve.
Dessa maneira, quando se fala, GRAMATICALMENTE, em pessoa, estamos falando de categoria, ou seja, conjunto de formas gramaticais ( e não de entidade isolada). Pessoa, pois, designa FORMAS ou MARCAS LINGUÍSTICAS utilizadas para que indiquemos o papel que cada um dos interlo-cutores de uma comunicação assume no interior do discurso.
Mas, o que devemos entender por discurso, estão, certamente, pensando alguns dos magníficos. É toda manifestação verbal (por palavras) capaz de estabelecer relação entre os interlocuto-res. Não é, assim, qualquer frase isolada, mas tão-somente aquelas que, sozinhas ou combinadas entre si, são capazes de, numa situação concreta, permitir um intercâmbio entre indivíduos por meio da lingua-gem. Assim dizem quase todas as gramáticas. E para conseguir tais resultados, os interlocutores, obriga-toriamente, devem ter conhecimento do código linguístico utilizado, compartilhar dos dados e informações necessários para que sejam capazes de entender o sentido da fala que lhes é dirigida e, dessa forma, dar a resposta desejada. Daí a importância de se ler, de se ser informado.
Assim, chegamos à conclusão de que categoria de pessoa é o conjunto de formas ou de marcas gramaticais utilizadas para demarcar o papel que cada um dos participantes de um discurso as-sume no seu interior. Convencionalmente, dizemos que existem três pessoas gramaticais, a saber:
Primeira pessoa - é a que assume a palavra para enunciar o que pretende - o emissor, o falante, o que escreve (conforme se use a língua oral ou escrita) - por isso, a melhor denominação, a mais utili-zada é o ENUNCIADOR (inclui tanto o falante, como quem escreve, ou seja, língua oral ou escrita) - eu, me, minha, nós etc.
Segunda pessoa - é a que indica com quem se fala, aquela a quem o discurso é dirigido - o ouvin-te, o leitor - o receptor - ou ENUNCIATÁRIO. - tu, teu, a ti etc.
Terceira pessoa - indica aquele (ou aquilo) que participa do discurso como algo a que os dois interlocutores se referem, ou seja, o assunto ou tema. - ele, ela, o, a, lhe etc.
Não devemos nos esquecer de que a língua portuguesa possui algumas características interessantes. Muito embora a segunda pessoa (tu, te, a ti etc) seja a gramatical, na prática, trocamo-la pelo você, refe-rindo-nos ao enunciatário. E “você” obriga o verbo e pronomes que acompanham à terceira pessoa ( tu és, levo a ti // você é, levo a você, levo-a, levo-o etc.)
Há até mesmo quem interprete o papel das pessoas de modo diferente: a terceira é considerada como uma não-pessoa, isto é, tudo o que é objeto de referência do discurso. Contudo, ado-temos a tradicional e mais conhecida, possivelmente, a que lhe será cobrada.
Feitas essas considerações, perguntaríamos: qual o significado dos pronomes?
Comecemos pelo pronome fora de contexto. Neste aspecto, podemos dizer que o pronome é classe de palavras que se define por um traço de significado: a pessoa gramatical.
Isso porque quem é o ENUNCIADOR pode, em seguida, ser o ENUNCIATÁRIO, numa situação concreta de discurso. Quanto dizemos para um amigo; “Como vai você?” - Esse “você”, obvia-mente, refere-se ao amigo, que é a pessoa com quem falamos (segunda pessoa). O enunciatário, ao responder, por exemplo, “Eu vou bem. E você?” O “eu” refere-se ao interlocutor com quem falamos e “você”, por sua vez, faz referência a quem falou (enunciador) anteriormente. Assim, o “você”, neste con-texto, ora é o enunciador, ora é o enunciatário.
Já em situação de discurso, dentro de um contexto, a coisa muda de figura. Há o que denominamos referência: palavra ou conjunto de palavras a que o pronome nos remete no interior de um texto ou cenário em que se desenrola o discurso.
No contexto de nosso texto inicial ( Samba de Orly), vimos que você, pelo contexto, nos remete ao enunciatário ( irmão). Que o me nos remete ao autor do texto (enunciador).
Contudo, como já dissemos, há situações concretas na língua, às vezes, em que a referência se inverte, ou seja, ora o pronome se refere ao enunciador, ora ao enunciatário… Concluímos que, diferentemente do substantivo ou do adjetivo, que faz referência a um só ser ou objeto (O menino gostou do carrinho = menino será sempre menino e carrinho, sempre carrinho), o pronome pode referir-se ora a alguém ou algo, ora a outro alguém ou algo, conforme o exemplo dado acima. Muitas vezes, nem é preciso mudá-lo. Imagine, como exemplo clássico, que haja dois amigos conversando e, ao passar uma garota, um diga para o outro: “Eu te garanto que ela ainda vai ser minha namorada”. E o outro respon-desse: “Concordo e não troco uma palavra sequer do que você disse: “Eu te garanto que ela ainda vai ser minha namorada”. A mesma frase serviu para ambos fazerem as mesmas referências.
O pronome, muitas vezes, pode referir-se à palavra ou a uma expressão que está inscri-ta no interior do próprio texto. Imaginemos o seguinte (con)texto:
O comentarista político da Folha de São Paulo foi duro na análise dos dois primeiros meses do governo Lula, principalmente na área econômica e na social, que foram marketing de ponta de sua campanha eleitoral. Ele comentou que não lhe agradava aquelas medidas econômicas anunciadas, relativas aos juros e nem a finalidade do projeto Fome Zero, porque ambos direcionavam-se totalmente às avessas do que havia pregado Lula, quando candidato.
Sabemos que os pronomes que constam no trecho se referem a:
que (foram marketing…) - pronome relativo que faz referência à área econômica e social;
Ele se refere ao comentarista político da FSP, assim como o lhe;
aquelas se refere às medidas econômicas anunciadas e à finalidade do projeto Fome Zero
E mais: são todos pronomes anafóricos, ou seja, fazem referência a pessoa ou coisa que vem citada antes dele.
Aprendemos que, quando fazem referência a pessoa ou coisa que vem depois dele, denominamos catafórico. Exemplo típico: “A torcida não O conhecia e não sabia direito sequer o SEU nome. De repente, SUA classe, SEUS dribles encantaram a torcida. E Jefinho virou o craque do Jaba-quara, cobiçado por inúmeros clubes europeus.. Os pronomes em destaques são catafóricos.
III- CRITÉRIO MORFOLÓGICO
Não há dúvida - a marca relevante dos pronomes é a de pessoa. Possuem ainda marcas indicativas de número (singular e plural ) e gênero (masculino e feminino). Contudo, não são todos os pronomes que possuem marcas formais indicativas, simultaneamente, de pessoa, gênero e número. O eu, por exemplo, apresenta-nos marcas de pessoa (primeira pessoa) e de número (singular), mas não de gênero. Já eles possui as três marcas - terceira pessoa, masculino e plural. Se pensarmos em alguns pronomes como tudo, aquilo, nada, a marca da neutralidade surge.
IV- CRITÉRIO SINTÁTICO
Para o bom observador da língua portuguesa, quando consideramos os pronomes sob o prisma do desempenho de sua função numa frase, constatamos que certos pronomes mudam de forma, dependendo da função que desempenham:
Ele chegou mais cedo - função de sujeito; Deixei-o em casa - função de complemento verbal objeto dire-to; Nada lhe disseram em casa - função de complemento verbal objeto indireto (assim o é também com ela, a, lhe ) etc.
Outra noção importante é a questão de os pronomes atuarem como pronome substan-tivo ou pronome adjetivo. Obviamente, o pronome será substantivo toda vez que ele ocupar numa es-trutura o lugar que seria próprio do substantivo ou de seqüências que equivalem a substantivos. Em - Os jogadores foram convocados, hoje, às 10 horas, pela comissão técnica e eles deverão apresentar-se amanhã na sede da CBF no Rio - observem que eles está ocupando um lugar que é próprio de um subs-tantivo (jogadores).
Muitas vezes, o pronome substantivo tem como referência uma frase inteira, como neste exemplo: O Presidente americano quer atacar o Iraque. ISSO todos sabem. O pronome ISSO não substitui um substantivo, mas um segmento mais amplo, que é toda a oração anterior ( O Presidente americano quer atacar o Iraque.)
Já os pronomes adjetivos são aqueles que, como os adjetivos, vêm associados a subs-tantivos ou noções equivalentes. Quando dizemos: Meu amor é infinito… O pronome MEU acompanha o substantivo AMOR como se fosse adjetivo. Em tempo: é bom que se frise que essa classificação em pronomes substantivos e adjetivos engloba todos os pronomes. Alguns só podem ser pronomes substan-tivos (como, dentre outros, o pronome pessoal do caso reto - eu, tu, ele etc.); outros, como os possessi-vos, podem ser ora substantivo, ora adjetivo, dependendo do contexto: Meu pai saiu cedo. E o seu? MEU é pronome adjetivo e SEU, pronome substantivo.
A SUBCLASSIFICAÇÃO DOS PRONOMES
Observemos o texto abaixo, que é a letra da música CATEDRAL, cuja canção original é interpretada por Zélia Duncan. Muito embora o texto em referência não seja lá nem um exemplo de pri-mor do uso da língua (o coloquial é visível (audível, na verdade!!!)), mormente na troca do tratamento da pessoa gramatical, mas o escolhemos pelo fato de trazer nele vários pronomes. Vamos destacar todos os existentes:

O deserto /Que atravessei /Ninguém me viu passar//Estranha e só /Nem pude ver / Que o céu é maior /Tentei dizer mas vi você / Tão longe de chegar /Mas perto de algum lugar /É deserto /Onde eu te en-contrei / Você me viu passar /Correndo só / Nem pude ver /Que o tempo é maior / Olhei pra mim /Me vi assim/ Tão perto de chegar /Onde você não está / No silêncio uma catedral /Um templo em mim / Onde eu possa ser imortal/ Mas vai existir
Eu sei /Vai ter que existir / Vai resistir nosso lugar /Solidão/ Quem pode evitar /Te encontro enfim / Meu coração é secular /Sonha e deságua / Dentro de mim /Amanhã devagar / Me diz / Como voltar /Se eu disser /Que foi por amor / Não vou mentir pra mim /Se eu disser / Deixa pra depois /Não foi sempre assim / Tentei dizer…
Todas as palavras destacadas no texto são pronomes. Claro que percebemos que suas formas se dife-renciam. Mas, grosso modo, temos aí, respectivamente (sem repeti-los) pronomes = relativo, indefinido, pessoal do caso oblíquo, de tratamento, pessoal do caso reto etc. Essas são a subclassificação dos pro-nomes a que nos referimos acima. Abordemos alguns:
Os pronomes pessoais
São aqueles que servem para indicar uma das pessoas gramaticais.
Pronomes pessoais do caso reto (ou subjetivo)
Como a própria nomenclatura diz, são os que possuem a função de SUJEITO.
1ª pessoa - eu/nós
2ª pessoa - tu/vós
3ª pessoa - ele/eles ; ela/elas
Do ponto de vista sintático, EU e TU são pronomes genuinamente subjetivos, ou seja, SÓ exercem fun-ção de sujeito, nunca de complemento. Mas - diriam os pensantes - TODOS esses pronomes não são subjetivos? Em princípio sim! É só observar a língua em funcionamento: Eu vou ao estádio / Nós seremos os responsáveis / Ela não quer estudar - pelos exemplos, os pronomes do caso reto funcionam como sujeito. Mas, observe:
Dei a ela um presente. / Emprestaram para nós os livros. / Solicite a ele um favor - nestes exemplos, os pronomes (ela, nós e ele) funcionam como complemento dos verbos, embora sejam classificados como pronomes subjetivos. Então, como se explica? Simples: observe que ANTES deles SEMPRE aparecem preposições. Por isso dissemos que EU e TU são, SEMPRE, genuinamente SUJEITO. Esses dois pro-nomes, nem com preposição, podem ser utilizados como complemento. Daí ouvirmos no coloquial estru-turas condenadas, como, por exemplo: Ela levou eu até à casa de Pafunça. / Nada há entre eu e você / Ela empurrou nós na brincadeira… Observe que, no primeiro exemplo, o “eu” funciona como complemen-to verbal, o que, pelo padrão culto, não se admite. Daí a necessidade de se permutar o “eu” por “me”, que é o pronome objetivo adequado; no segundo exemplo, o “eu” apareceu antecedido de preposição, mas, mesmo assim, não se admite tal estrutura no padrão culto. “Eu” só pode ser sujeito. Por isso, no padrão culto, dever-se-ia estruturar; “Nada há entre mim e você”, porque “mim” é o pronome objetivo correspon-dente. Da mesma forma, no terceiro exemplo, o “nós” está inadequado, porque, embora possa exercer a função objetiva, só poderá ocorrer se vier antecedido de preposição, o que não é o caso. Dever-se-ia estruturar: “Ela nos empurrou na brincadeira.” Ok? Resumindo: eu e tu serão sempre sujeito; os demais pronomes pessoais do caso reto poderão funcionar como sujeito ou complemento. Como complemento, só se vierem antecedidos de preposição.
Convém observarmos ainda que, na maior parte do território brasileiro, para indicar a 2ª pessoa, em vez de tu/vós, fazemos uso do pronome de tratamento você/vocês. O “tu” ainda sobrevi-ve na língua falada em algumas regiões do país, mormente no Sul. Na língua escrita, está mais restrito seu uso na poesia (e lírica). Só que essa troca deve ser entendida. Tem sido comum no padrão coloquial a mistura dessas pessoas gramaticais. Costumamos dizer, no coloquial, estruturas como as encontradas no exemplo acima (letra da música CATEDRAL):
/Tentei dizer mas vi você / Tão longe de chegar /Mas perto de algum lugar /É deserto /Onde eu te en-contrei / Você me viu passar / …
O tratamento dado pelo autor ao enunciatário é VOCÊ (… mas vi você); na seqüência, ele diz: ” onde eu te encontrei”, havendo, assim, a troca de pessoa gramatical, dentro de uma mesma estrutura, de 3ª (você) para 2ª (te), o que o padrão culto condena. (Lembremo-nos ainda do título de uma música, salvo engano, de Marina : Eu te amo você!!!) Mas, por que essa condenação? Expliquemos:
Primeiramente, levemos em consideração um princípio básico: não há diferença de sentido no uso de tu e você. Mas, há diferença de comportamento gramatical. Tanto um quanto outro se referem à pessoa com quem se fala. Ambos têm como referência o enunciatário. Tanto faz, semanticamente, eu dizer: Tu és santista? ou dizer: Você é santista? As duas possuem significado semelhante. A escolha de “tu” ou “você” é determinada por preferências regionais, ou razões de estilo. Simplesmente isso. Porém, há que se notar que o comportamento gramatical no uso desses pronomes é diferente: As palavras que entram, no relacionamento dentro da estrutura, em concordância com o “tu”, assumem a forma de 2ª pessoa; por outro lado, as que se relacionam com “você” assumem forma de 3ª pessoa. É só observar:
Se tu és jabaquarense, eu te cumprimento, porque também sou.
Se você é jabuca, eu o cumprimento, porque também sou.
Por isso, a estrutura coloquial acima exemplificada é condenada pelo padrão culto da língua. Entendido?
Já o pronome vós praticamente desapareceu, na língua oral, do Português contemporâneo. Seu está bem restrito a ritos religiosos, linguagem cerimoniosa (menor incidência) ou à poesia lírica.
Outra observação relevante que podemos fazer em relação a esses pronomes que enfocamos (pessoais do caso reto) é a questão do NÓS/VÓS, ditos como pessoas do plural.
Imagine a seguinte cena (não cobram - ainda - imposto por sonhar): você, cara, está no cenário da filma-gem da minissérie “A Casa das Sete Mulheres”, assistindo à filmagem, juntamente com o resto da rapazi-ada da classe. De repente, o diretor precisa de um homem que participe de uma cena rápida com uma das atrizes mais lindas do elenco. Na cena, rola um beijo. Ele se vira e aponta para você, perguntando se quer participar só daquela cena. Você - que não é bobo - aceita. E enquanto ele está explicando como se dará a cena, você olha para os seus amigos e comenta, baixinho: “Eu estou nervoso!” e recebe como resposta: ” E nós também”!!!.
O “nós” da resposta dos amigos fez referência a um conjunto de enunciadores, como se fosse o plural de “eu”, ou seja, várias pessoas que assumem a palavra para expressar opinião. Mas, esse mesmo “nós” pode ter como referência qualquer conjunto em que esteja incluído o “eu”. Dessa forma, “nós” pode ser: eu + tu ; eu + vós : eu + tu + elas ; eu + eles + vós etc. Quando alguém diz para nós: “Gente, vamos lá!” - observe que o verbo traz a terminação -mos, que nos remete a “nós”, ou seja, a referência aí inclui o enunciador e o enunciatário. Em outras palavras, temos aí um exemplo em que “nós” engloba eu + tu ou eu + você.
Pronomes pessoais do caso oblíquo (ou objetivos)
Os pronomes pessoais do caso oblíquo, também denominados de objetivos, possuem duas subclassifi-cações: os pronomes oblíquos átonos e os pronomes oblíquos tônicos.
Os POAs (pronomes oblíquos átonos) são aqueles que não possuem, por si só, independência na língua. Melhor explicando: eles só aparecem “apoiados” à outra palavra (geralmente, o verbo, embora nada impeça que venha apoiado num nome). São eles:
1ª pessoa - me, nos
2ª pessoa - te, vos
3ª pessoa - se, o, a, lhe, os, as, lhes
Quando dizemos átonos, é pelo fato de, como dissemos acima, eles aparecerem “apoiados” em outra palavra. No verbo, quando são obrigados a aparecer em posição enclítica ou mesoclítica, fácil perceber esse vínculo porque vêm com hífen: diga-me, ser-lhe-á são exemplos claros. Em posição proclítica, não há o hífen, mas o apoio é perceptível. Quando dizemos:
Ela me apresentou a Francelina. - o POA “me”, na pronúncia, praticamente se une ao verbo, criando um ditongo. Observe que a pronúncia seria “miapresentou”. Numa oração como: Ela me será útil - embora o “me” esteja meio distanciado, está ligado ao adjetivo “útil” (Ela será útil a mim).
Já os pronomes oblíquos tônicos possuem independência na língua, aparecendo sem estar apoiado a nenhuma outra palavra. São eles:
1ª pessoa - mim - migo - nos -nosco
2ª pessoa - ti- tigo - vos -vosco
3ª pessoa - si - sigo -
Os pronomes - migo, tigo, sigo, nosco e vosco - só aparecem acompanhados da preposição “com” ( e só com ela!!! Verdadeiros amantes fiéis!!!). Por isso, na escrita, já eles já vêm agregados com ela (comigo, contigo, consigo, conosco, convosco).
Os demais aparecem sempre com preposição, mas não há uma específica. Observe a língua em funcio-namento e comprovará:
Disse isso para mim / a mim / sobre mim / contra mim / de mim etc.
Os pronomes - si - sigo - só podem ser utilizados como reflexivos, ou seja, o sujeito da oração em que são componentes terá obrigatoriamente que estar na terceira pessoa: Ela caiu em si - Falou consigo mesmo - (portanto, totalmente inadequadas as expressões ” Eu caí em si - Quero falar consigo etc)
VAMOS ABRIR UM PARÊNTESES PARA COMENTAR O SEGUINTE:
Como vimos, os pronomes do caso reto, ou subjetivo, possuem a função de sujeito. Podem também (com exceção do EU e TU, que são genuinamente sujeitos) ser complementos, desde que venham acompa-nhados de preposição, OK?
E os pronomes oblíquos? Se eles possuem função complementar ( de complemento), poderiam exercer a de sujeito?
Observem bem os exemplos abaixo:
Catifunda mandou que o Pafunço comprasse pães.
Um período comum na língua, não? Duas orações, período composto, em que a primeira oração Cati-funda mandou funciona como oração principal e a segunda que o Pafunço comprasse pães. funciona como substantiva objetiva direta. Se a analisarmos separadamente, vamos notar que o sujeito do verbo mandar é Catifunda, enquanto o do verbo comprar é Pafunço e pães é o objeto sobre o qual recai a ação de comprar, ou seja, um complemento verbal objeto direto.
Pois bem, o falante da língua possui outra estrutura para dizer a mesma coisa. Observe:
Catifunda mandou Pafunço comprar pães. Continua estrutura com duas orações, período composto, oração principal (Catifunda mandou), só que a segunda oração (Pafunço comprar pães) continua subs-tantiva objetiva direta, mas, reduzida de infinitivo. Pafunço ainda é sujeito de comprar e pães, comple-mento verbal objeto direto.
Ora, se se propusesse que o sujeito do verbo comprar fosse substituído pelo pronome adequado, o falan-te da língua poderia ter dois raciocínios (e, se esse falante fosse uma loira, entraria em “parafuso”). Se Pafunço é sujeito, o pronome correspondente e adequado deveria ser ELE, porque o pronome pessoal do caso reto ou subjetivo é que exerce a função de sujeito, correto? Teríamos: (Catifunda mandou ele com-prar pães). Bem, se assim deixássemos, ocorreria que o ELE, além de sujeito do verbo comprar, seria também, concomitantemente, complemento verbal objeto direto do verbo mandar! E como complemento, aprendemos, o pronome do caso reto só funciona se vier com preposição. Não é o caso! Concluiríamos que a estrutura não estaria correta, não estaria em conformidade com o padrão culto da língua, exigível na língua escrita. Bem, se fizéssemos diferente, ou seja, substituíssemos Pafunço pelo pronome oblíquo correspondente e adequado O (Catifunda mandou-o comprar pães). Santa Crepitude!!! O pronome oblí-quo O, agora, adequou-se como complemento verbal objeto direto do verbo mandar, MAS ( e sempre tem um mas!!!) tornou-se, concomitantemente, sujeito do verbo comprar. E há pronome oblíquo que funcione como sujeito? O pronome oblíquo O poderia ser sujeito de comprar? Diante do impasse, nossos gramáti-cos optaram pela segunda construção, isto é, o pronome oblíquo (no caso, o O) funcionaria como CVOD de mandar e como SUJEITO de comprar, concomitantemente!!!
Portanto, esse é o único caso na língua em que um pronome oblíquo pode funcionar como sujeito de uma oração. É denominado de SUJEITO DE INFINITIVO, isso porque, só ocorre nessa estrutura, qual seja : Verbo transitivo + pronome oblíquo + verbo no infinitivo (a forma verbal ” infinitivo “, para refrescar a cabeça, são os verbos terminados em AR, ER (OR) e IR). Assim, o período aceito ficaria: Catifunda mandou-o comprar pães.
FECHEMOS O PARÊNTESES…
OS PRONOMES DE TRATAMENTO
Outro pronome pessoal (além do caso reto, do caso oblíquo) é o de tratamento. Usamos para nos refe-rirmos com reverência às pessoas com quem tratamos. Há duas observações a ser feitas a respeito de-les.
1- quanto ao sentido, são pronomes de 2ª pessoa, pois se referem às pessoas com quem falamos, o nosso interlocutor, o enunciatário.
2- quanto ao comportamento gramatical, são pronomes de 3ª pessoa, pois exigem a concordância na 3ª pessoa. Não é raro lermos ou ouvirmos construção como esta: “Vossa Senhoria sois… Vossa Senhoria sabeis … O falante faz a concordância verbal na 2ª pessoa ( com o vós) por influência do pronome possessivo (que compõe o pronome de tratamento) Vossa. Mas, o comportamento gramatical desses pronomes exigem a concordância na 3ª pessoa - Vossa Senhoria é… Vossa Senhoria sabe… Vossas Senhorias sabem…
Desnecessário aqui ficarmos citando quais os pronomes de tratamento (Vossa Alteza para príncipes e princesas) Vossa Eminência (para cardeais), Vossa Excelência (para altas autoridades) etc. Contudo, chamamos a atenção para dois casos (um, por curiosidade):
A- O pronome de tratamento para sacerdotes é Vossa Reverendíssima. Muita gente desconhece qual é o tratamento para bispos, visto que para sacerdotes e cardeais há, mas para bispos, as gramáticas omi-tem. . Para bispos devemos usar Vossa Excelência Reverendíssima.
B- No nosso idioma, havia o pronome de tratamento arcaico VOSSA MERCÊ, que era um tratamento cerimonioso. Houve, historicamente, a evolução desse pronome, em razão justamente do falar coloquial. As pessoas menos cultas, no lugar de Vossa Mercê, falavam “Vosmecê”. Na evolução, passou a “voscê” que veio dar o nosso pronome de tratamento informal “você” (hoje, já estamos falando “ocê” e até mesmo “cê” - Cê vai?)
Finalmente, devemos usar VOSSA (Excelência, Senhoria, Magnificência etc) quando a referência se faz diretamente à pessoa. “Ministro, desejo falar com Vossa Excelência”. Contudo, se o tratamento for indire-to, no lugar do VOSSA devemos usar SUA. ” Senhorita, por favor, Sua Excelência, o Ministro, está?”
OS PRONOMES POSSESSIVOS
Quando queremos indicar que algo pertence, é posse (no sentido amplo) de uma das três pessoas do discurso, aí aparecem como recurso os pronomes possessivos. São eles:
1ª pessoa: meu, minha, meus, minhas // nosso, nossa, nossos, nossas
2ª pessoa: teu, tua, teus, tuas /// vosso, vossa, vossos, vossas
3ª pessoa: seu, sua, seus, suas /// seu, sua, seus, suas
Quando dissemos, acima, que é posse no sentido amplo, isso significa o seguinte: quando alguém diz, por exemplo, minha casa, seu carro, nosso prédio etc. subentende-se que podemos ser dono, proprietário de uma casa, de um carro, de um prédio. Mas, perceba que falamos também: meu tempo, tua gripe, nosso cálculo, seu time - o que, obviamente, entendemos que ninguém pode ser dono, proprietário do tempo, da gripe, do cálculo, do time. Não obstante, dizemos, usando o pronome possessivo. Daí dizer-mos que devemos interpretar no sentido amplo.
Um dos cuidados que devemos ter em relação ao pronome possessivo é que esse pronome é capaz de gerar ambigüidades. E é alta a incidência no cotidiano. E isso ocorre na 3ª pessoa (seu, sua, seus, suas). Devemos atentar para dois usos distintos dos pronomes possessivos de 3ª pessoa: no interior do texto e no espaço em que se desenrola a fala. No interior do texto, ele funciona tanto como anafórico (recupe-rando palavras já citadas anteriormente) ou como catafórico (introduz o que vai ser dito posteriormente). Vejamos exemplos:
O Santos jogou ontem e sua torcida ficou feliz com a vitória. O “sua” é anafórico, já que tem como refe-rência um termo (Santos) citado antes. Sua torcida = torcida do Santos.
A sua aparência chama a atenção, a sua simpatia conquista : assim é Camila. Os possessivos “sua” funcionam como catafóricos, já que têm como referência uma palavra (Camila) que vem após eles. E eles podem gerar ambigüidades:
A discussão entre Paulo e Maria foi provocada por sua teimosia. O “sua” é anafórico, mas não é possível identificar a quem ele faz referência: se a teimosia era do Paulo ou se de Maria. Portanto, construção ambígua. Como desfazer? Embora pareça estranho, mas, se quisermos utilizar a mesma construção (poderíamos modificar a estrutura, ou seja, escrever a mesma coisa de outra forma), poderíamos escre-ver ou falar desta forma: A discussão entre Paulo e Maria foi provocada por sua teimosia dela (ou dele).
Às vezes, embora haja ambigüidade, o conhecimento de mundo desfaz tal ambigüidade. É o exemplo clássico que encontramos em diversas gramáticas ou livros didáticos:
Patrões estão sempre em conflito com operários por causa dos seus salários. Obviamente, o pos-sessivo “seus” poderia estar se referindo tanto a patrões quanto a operários. Mas, nosso conhecimento de mundo nos favorece para interpretar corretamente. Quando se fala de patrões e operários, é eviden-temente que o patrão é quem paga o salário aos operários e não vice-versa. Daí, esse conhecimento desfazer a ambigüidade.

OS PRONOMES DEMONSTRATIVOS

São os pronomes que marcam ou mostram o lugar de alguém ou de alguma coisa em relação a cada uma das pessoas do discurso.
Quais são eles? este, esta, estes, estas, isto// esse, essa, esses, essas, isso// aquele, aquela, aque-les, aquelas, aquilo.
Um dia, um professor nos simplificou o uso dos demonstrativos. Cremos que é o melhor método para entendermos seus usos.
A- PAPEL DO DEMONSTRATIVO NO ASPECTO ESPACIAL
Obs: Doravante, falaremos em ESTE, ESSE e AQUELE. O que dissermos deles servirá para os demais (esta, essa, aquela / isto, isso, aquilo).
No cenário em que se situa a comunicação, o demonstrativo este (esta, estes, estas, isto) serve para indicar que alguém ou algo está próximo da pessoa que fala (enunciador). Essa proximidade pode ser reforçada pelo advérbio aqui (este aqui). - Por favor, qual é o nome desta moça aqui do meu lado? De que marca é este relógio que tenho no pulso?
Isso significa que a moça está próxima de quem fala, assim como o relógio.
Por outro lado, observe: Por favor, qual é o nome dessa moça que está aí ao seu lado? De que marca é esse relógio que você traz no pulso?
Perceberam? Usamos esse (reforçado pelo advérbio aí) quando algo ou alguém se situa próximo da pessoa com quem se fala (enunciatário).
Obviamente, quando algo ou alguém se situa distante dos dois interlocutores, devemos usar aquele (re-forçado, no caso, se quisermos, pelo advérbio lá). Por favor, qual é o nome daquela moça encostada no muro? De que marca é aquele relógio que está naquela vitrine?
Uma questão de vestibular interessante foi elaborada pela FUVEST(salvo engano). Nela foi proposto algo mais ou menos como se, por qualquer motivo, a pessoa não quisesse usar o pronome possessivo, deve-ria indicar o demonstrativo que recorreria.
a) sua própria mão (resposta: esta mão)
b) a mão do seu interlocutor (resposta - essa mão)
B- PAPEL DO DEMONSTRATIVO NO ASPECTO TEMPORAL
Fácil. Devemos usar este para o tempo presente; esse para um passado mais recente e aquele para um passado remoto. Contudo, atenção: a questão de passado recente ou remoto pode ser muito relativo. Se pensarmos, por exemplo, na história do Brasil, que foi descoberto em 1500 (estamos em 2003), obvia-mente o passado remoto recairia, digamos, nos anos 1500, 1600. Um passado mais recente seria relativo aos anos 1800 ou 1900. Se pensarmos na expectativa de vida de um cachorro (máximo de 12 a 15 anos), claro que a idade do cachorro considerada remota seria, digamos, de 1 a 3 ou 4 anos… Entenderam a questão da relatividade?
Por isso, preste atenção:
este século (o século em que estamos); este ano (2003); este mês (no caso, abril, que é o mês em que escrevemos este texto) esta semana (a que estamos nela) etc.
Se é passado recente: esse século, esse ano, esse mês, essa semana…
Se o passado for remoto: aquele século, aquele ano, aquele mês, aquela semana.
Gente, na semana passada estudamos os verbos. E nessa semana, a nosso ver, não houve muita aten-ção. Contudo, nesta semana iniciamos o estudo de pronomes e queremos atenção, tá? È como dizia Jesus, naqueles tempos: -Pai, perdoai, porque eles não sabem o que fazem!!! Por isso, perdoei a todos vocês… por enquanto!
C- PAPEL DO DEMONSTRATIVO NO ASPECTO DE RECUPERAÇÃO DE PALAVRA
Muitas vezes, ao escrevermos, no interior do texto, recuperamos palavras ou frases inteiras. Observe:
O professor disse ontem que a apostila a ser estudada para a prova é a 2. Sorte que essa é a mais fácil.
Perceberam? Quando o pronome demonstrativo recuperar palavra ou expressão já ditas anteriormente, ele está em função anafórica. Como anafórico, só usamos esse (essa, esses, essas, isso).
Agora, observe:
Depois do problema havido na sala, sabe o que o professor disse? Disse isto: “ficará com zero quem não entregar a tarefa até às 11 horas…”
O uso do pronome demonstrativo, agora, está na função catafórica Como catafórico, devemos usar o pronome este (esta, estes, estas, isto).
Lembrando: anafórico - esse - toda vez que o pronome se referir a algo que já foi enunciado anteriormen-te; este - toda vez que o pronome se referir a algo que vai aparecer posteriormente, na seqüência do texto.
Como anafórico, pode recuperar uma palavra, uma expressão ou trechos inteiros citados anteriormente.
Ontem fui à casa de Paula. Essa, infelizmente, não estava (palavra)
“Matar ou morrer” - esse era o lema (expressão)
Depois que houve a troca de técnico na seleção brasileira (saiu Scolari e entrou Parreira), o Brasil já não é mais o mesmo. Ninguém sabe, na verdade, explicar o fenômeno, porque a impressão que se tem é que todos se esqueceram de como se joga bola. E isso já esquenta a cabeça do torcedor brasileiro, acostu-mado a vencer. (trecho inteiro)
Contudo, voltemos ao tema. Preste bem atenção:
Quando fazemos exercícios físicos, é preciso tomar cuidado com alguns deles, como o abdominal, o levantamento de pesos e a esteira. Esta última é a que menos problema pode apresentar.
Apesar de o pronome demonstrativo, no caso, estar recuperando a palavra “esteira”, usamos “este” e não “esse”. Mas, por quê? Há razões especiais, em determinadas comunicações, que justificam o desvio dessa regrinha do padrão culto, mesmo na língua escrita. No exemplo, houve o desvio para que se evi-tasse a repetição da palavra “esteira” - usou-se o “este” pela proximidade com o último elemento da enumeração. Digamos, grosso modo, que houve aí a interferência mais do espacial que do anafórico.
D- PAPEL DO DEMONSTRATIVO NA ESTRUTURA EM PARALELISMO
Bom, primeiro, expliquemos o que seja paralelismo. São estruturas semelhantes que utilizamos de forma paralela. Observe:
O rio Amazonas é o maior do mundo em volume de água; o rio Nilo é famoso pelo húmus. Aquele fica no Brasil, este, no Egito.
Percebeu? Assim, em paralelismo usamos este/aquele ( ou aquele/este)
Há outros usos. Observe:
O Presidente comparou seus Ministros com os do seu antecessor, elogiando ufanisticamente aqueles e referindo a estes como “virtuais”.
O Corinthians perdeu para o River na Argentina. Este, agora, joga em São Paulo e aquele precisa ganhar com dois gols de diferença.

O PRONOME RELATIVO
Observem: I- Esta é a menina da qual lhe falei. II – O pássaro que corre no campo é um quero-quero. III- O livro que li era Brás Cubas, de Machado de Assis. IV- Marta era a simpatia que sua mãe não era.
Os “quês” recorrentes e o “da qual” em cada uma das orações é o pronome relativo. E para que serve o pronome relativo na língua portuguesa?
1. Perceba que o antecedente dele é sempre um substantivo. Por isso, ele faz referência sempre ao seu antecedente, que será também sempre um NOME – Na I – menina; na II- pássaro; na III- livro; na IV- simpatia.
2. Além de se referir ao antecedente, o pronome relativo o SUBSTITUI na oração em que está:
Observe - Na I - Esta é a menina – (eu) lhe falei da menina – o “da qual” substitui exatamente “a meni-na” que é o antecedente da oração anterior. Da mesma forma, os “quês” substituem PASSARO, LIVRO, SIMPATIA nas orações II, III e IV.
3. Além de fazer referência ao seu antecedente, de o substituir na oração em que se encontra, o pronome relativo adquire a mesma função sintática do nome que substitui. Da qual = complemento verbal objeto indireto / porque “da menina”, que ele substitui, é complemento verbal objeto indireto do verbo “falei”. Na II, o “quê” é sujeito; na III, complemento verbal objeto direto e na IV – predicativo do sujeito.
Assim, o pronome relativo funciona como CONECTOR, faz a conexão entre duas orações, normalmente para evitar a repetição da palavra.
CUJO – CUJA- CUJO- CUJOS – funciona igual, porém, faz referência ao seu antecedente e concorda em gênero e número com o seu conseqüente – Pluta, cuja filha adoeceu, ficou desesperada.
Primeira oração – Pluta ficou desesperada.
Segunda Oração – A filha da Pluta adoeceu . Assim, o pronome relativo CUJA funciona sempre como adjunto adnominal de posse. Não se admite, no português culto, a construção CUJA A, CUJO O – não existe.
ONDE - o ONDE como pronome relativo se refere, tal qual os outros, ao seu antecedente e exerce a função sintática de adjunto adverbial de lugar. E mais – o nome a que se refere (seu antecedente) TEM DE SER SEMPRE LUGAR FÍSICO. Se não for, o padrão culto da língua não aceita.
O quarto onde durmo recebe muito sol de manhã. (onde= adjunto adverbial de lugar – durmo onde? No quarto – que é o antecedente) - Sempre haverá compreensão onde pai e filho se entendam. Incorreto. Onde se refere à compreensão que não é lugar físico. Corrigindo – compreensão em que…
PRONOMES INDEFINIDOS
São eles sempre de terceira pessoa gramatical, referindo-se, assim, a alguém ou a algo de quem se fala e cuja identidade não se pode ou não se quer revelar. Revela apenas a existência do ser, não contendo traços possíveis de identificação.
Observe:
Um ladrão invadiu a casa do Paulo.
Alguma pessoa invadiu a casa do Paulo.
Alguém invadiu a casa do Paulo.
Percebemos, pelos exemplos, que há graus de indefinição naquilo que falamos ( e não indefinição abso-luta). Na primeira, existe um invasor e sabemos tratar-se de ladrão, mas “um ladrão”, ou seja, não há identidade precisa dele; na segunda, o “alguma” acompanhando “pessoa” aumentou o grau de indefinição que, na terceira, avoluma-se ainda mais, pois “alguém” indica apenas que uma pessoa de quem se está falando invadiu a casa de Paulo.
PRONOME INTERROGATIVO/EXCLAMATIVO
Geralmente, são os pronomes indefinidos utilizados em frase interrogativas ou exclamativas, ou seja, quando servem para indicar, na frase, um elemento desconhecido sobre o qual desejamos uma informa-ção.
Quem chegou?
Qual é o livro que preciso comprar?
Quanto custa o livro?
Que é isso?
Quem me dera!!
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RELAXE:

No aeroporto, o pessoal estava na sala de embarque aguardando a chamada. Nisso aparece o co-piloto, todo uniformizado, de óculos escuros e de bengala, tateando pelo caminho. A atendente da companhia o encaminha até o avião e assim que volta, explica que, apesar dele ser cego, é o melhor co-piloto da com-panhia. Alguns minutos depois, chega outro funcionário também uniformizado, de óculos escuros, de bengala branca e amparado por duas aeromoças. A atendente mais uma vez informa que, apesar dele ser cego, é o melhor piloto da empresa e, tanto ele quanto o co-piloto, fazem a melhor dupla da compa-nhia. Todos os passageiros embarcam no avião preocupados com os pilotos. O comandante avisa que o avião vai levantar vôo e começa a correr pela pista, cada vez com mais velocidade. Todos os passageiros se olham, suando, com muito medo da situação. O avião vai aumentando a velocidade e nada de levantar voo. A pista está quase acabando e nada do avião sair do chão. Todos começam a ficar cada vez mais preocupados. O avião correndo e a pista acabando. O desespero toma conta de todo mundo. Começa uma gritaria histérica no avião. Nesse exato momento o avião decola, ganhando o céu e subindo suave-mente. O piloto vira para o co-piloto e diz: - Se algum dia o pessoal não gritar, a gente tá ferrado!!!!!!

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31/3/09

GALERA DO ANGLO

ANO DE 2011
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PRIMEIRO ANO COLEGIAL

Estudem Processo de Formação de Palavras - conectivos -preposição e connjunção

Da prova constarão questões objetivas e dissertativas. - três de uma, duas de outra.

Não haverá texto-base. Parta cada questão, texto específico, ok?

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SEGUNDO ANO COLEGIAL

Estudem REGÊNCIA E CRASE -

Constarão questões objetivas e dissertativas, com texto específico para cada uma, ok?

GALERA DO SEGUNDÃO!!!
I- CURIOSIDADE COM VÍRGULA
O TESTAMENTO

Um homem rico, sentindo-se morrer, pediu papel e caneta e escreveu assim:

“Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do mecânico nada aos pobres.”

Não teve tempo de pontuar. Morreu.

Eram quatro os herdeiros. Chegou o sobrinho e fez estas pontuações numa cópia do bilhete:

“Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do mecânico. Nada aos pobres.”

A irmã do morto chegou em seguida com outra cópia do testamento e pontuou assim:

“Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do mecânico. Nada aos pobres.”

Apareceu o mecânico, pediu uma cópia do original e fez estas pontuações:

“Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do mecânico. Nada aos pobres.”

Um juiz estudava o caso, quando chegaram os pobres da cidade. Um deles, mais sabido, tomou outra cópia do testamento e pontuou deste modo:

“Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do mecânico? Nada! Aos pobres!”

EXERCICIOS.

1. Pontue de tal forma que haja sentido: Um fazendeiro tinha uma vaca e a mãe do fazendeiro era também a mãe do bezerro.
2. Que resultado semântico produzem as orações abaixo, de acordo com a pontuação que recebem e diga qual é o motivo sintático.
a- Mãe, só tem uma!
b- Mãe só tem uma!
3- Em qual destas frases a vírgula foi empregada para marcar a omissão do verbo?
A) Ter um apartamento no térreo é ter as vantagens de uma casa, além de poder desfrutar de um jardim.
B) Compre sem susto: a loja é virtual; os direitos, reais
C) Para quem não conhece o mercado financeiro, procuramos usar uma linguagem livre do economês.
D) A sensação é de estar perdido: você não vai encontrar ninguém no Japão, mas vai ver a natureza intocada
E) Esta é a informação mais importante para a preservação da água: sabendo usar, não vai faltar.
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4- O uso das vírgulas em cada proposição é justificado pela explicação entre parênteses. Assinale a alternativa cuja explicação não esteja coerente com o uso da vírgula.
A) Um dia, porém, o amante recebeu uma carta anônima. (conjunção adversativa deslocada)
B) O amante temia a ira do marido, e a mulher tratava os dois muito bem. (sujeitos diferentes nas duas orações)
C) A sala era mal alumiada por uma janela, que dava para o telhado dos fundos. (oração coordenada adversativa deslocada)
D) Ao passar pela Glória, ele se despediu do mar. (oração reduzida de infinitivo no início do período)
E) Entrando no quarto, Camilo não pôde sufocar um grito de terror. (oração reduzida de gerúndio no início do período)
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5. É preciso suprimir uma ou mais vírgulas na seguinte frase:
A) É possível que, em vista da quantidade e de seu poder de sedução, as ficções de nossas telas influenciem nossa conduta de forma determinante.
B) Independentemente do mérito dos professores, as escolas devem, com denodo, estimular os sonhos dos alunos.
C) É uma pena que, hoje em dia, tantos e tantos jovens substituam os sonhos pela preocupação, compreensível, diga-se, de se inserir no mercado de trabalho.
D) O fato de serem, os adolescentes de hoje, tão “razoáveis”, faz com que a decantada rebeldia da juventude dê lugar ao conformismo e à resignação.
E) Se cada época tem os adolescentes que merece, conforme opina o autor, há também os adolescentes que não merecem os adultos de sua época.
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6- Assinale a alternativa cujo texto está corretamente pontuado.
A) Os dois principais nomes da pintura modernista no Brasil são de mulheres: Anita Malfatti e Tarsila do Amaral apesar de não haver antes delas, uma tradição aparente de mulheres pintoras no país.
B) Os dois principais nomes da pintura modernista no Brasil são de mulheres; Anita Malfatti e Tarsila do Amaral; apesar de não haver, antes delas, uma tradição aparente, de mulheres pintoras no país.
C) Os dois principais nomes da pintura modernista no Brasil são de mulheres, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, apesar de não haver, antes delas, uma tradição aparente de mulheres pintoras no país.
D) Os dois principais nomes da pintura modernista, no Brasil são de mulheres: Anita Malfatti e Tarsila do Amaral apesar de, não haver antes delas, uma tradição aparente de mulheres pintoras no país.
E) Os dois principais nomes da pintura modernista no Brasil, são de mulheres Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, apesar de não haver antes delas, uma tradição aparente de mulheres pintoras no país.
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7. Em relação à pontuação, assinale a alternativa correta.
A) De acordo com a assessoria de imprensa do MP cerca de 40 minutos após a evacuação do prédio, todos os funcionários voltaram ao serviço.
B) Num desses dias eu estava falando que queria retornar para a internet e ele me falou que tinha um site que ele queria montar mas não tinha tempo era um site de vídeos!
C) Após a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente, as atribuições do Ministério Público vêm se multiplicando, numa evidente prova de confiança do legislador, à qual o MP deverá corresponder com atuação eficiente.
D) Muitas vezes descendo ou subindo encontrei cardumes, golfinhos, plânctons gigantes.
E) As entidades monetárias internacionais e não nossos governantes, é que traçam os rumos econômicos e sociais do País
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8. Texto- A VÍRGULA
A vírgula pode ser uma pausa. Ou não.
Não, espere.
Não espere.
A vírgula pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso, só ele resolve.
Ela pode forçar o que você não quer.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.
Pode acusar a pessoa errada.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.
A vírgula pode mudar uma opinião.
Não quero ler.
Não, quero ler.
UMA VÍRGULA MUDA TUDO.
ABI: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE IMPRENSA.
100 ANOS LUTANDO PARA QUE NINGUÉM MUDE NEM UMA VÍRGULA DA SUA INFORMAÇÃO.
(Anúncio publicado na revista Veja, 9 abr. 2008.)
Sobre esse anúncio, considere as seguintes afirmativas:
1. Na frase “Não, espere”, a vírgula é usada para indicar que a leitura deve ser feita pausadamente, com ênfase em cada palavra.
2. No segundo conjunto de frases, a idéia de heroísmo é veiculada pela primeira frase.
3. A frase “Aceito, obrigado” tem como interpretação preferencial “Sou obrigado a aceitar”.
4. No quarto conjunto de frases, a primeira pode corresponder a uma acusação equivocada se não expressar a intenção do autor de acusar o juiz ou outra pessoa.
5. Nas frases “Não, espere” e “Não, quero ler” a negação não incide sobre o conteúdo dos verbos “esperar” e “querer”, mas sobre outros conteúdos, que permanecem implícitos.
Assinale a alternativa correta.
A) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.
B) Somente as afirmativas 4 e 5 são verdadeiras.
C) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.
D) Somente as afirmativas 1, 3 e 5 são verdadeiras.
E) Somente a afirmativa 2 é verdadeira.
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9. Assinale o período de pontuação correta:
a) A casa, em que predominava a pesada alvenaria daquele tempo, estremeceu.
b) A casa em que predominava a pesada alvenaria, daquele tempo estremeceu.
c) A casa em que, predominava a pesada alvenaria daquele tempo, estremeceu.
d) A casa em que predominava, a pesada alvenaria daquele tempo, estremeceu.
e) A casa, em que, predominava a pesada alvenaria, daquele tempo, estremeceu.

10. Assinale o período de pontuação correta:
a) Prezados colegas deixamos agora a boa conversa, de lado!
b) Prezados colegas deixemos agora, a boa conversa de lado!
c) Prezados, colegas, deixemos agora a boa conversa de lado!
d) Prezados colegas deixemos agora a boa conversa de lado!
e) Prezados colegas, deixemos agora a boa conversa de lado!

11. Das seguintes redações abaixo, assinale a que não está pontuada corretamente:
a) Os meninos, inquietos, esperavam o resultado do pedido.
b) Inquietos, os meninos esperavam o resultado do pedido.
c) Os meninos esperavam, inquietos, o resultado do pedido.
d) Os meninos inquietos esperavam o resultado do pedido.
e) Os meninos, esperavam inquietos, o resultado do pedido.

12. Coloque a vírgula, quando for necessário, nos períodos abaixo:
a) José venha cá.
b) Ao acabar as aulas os alunos se retiraram.
c) Os professores os alunos o diretor e os funcionários saíram.
d) Vitória 22 de maio de 2000.
e) O candidato estudou e fez ótima prova.
f) O Brasil espera que cada um cumpra com seu dever.
g) Que cada um cumpra com seu dever o Brasil espera.
h) Logo que eles chegaram o secretário começou a falar.
i) Se puder irei visitá-lo.
j) José estuda física e eu português.
l) Antonieta e Antônia as duas irmãs são lindas.
m) Todos foram à praia exceto Pedro.

13. “Podem acusar-me: estou com a consciência tranquila”.
Os dois pontos (:) do período acima poderiam ser substituídos por vírgula, explicitando-se o nexo entre as orações pela conjunção:
a) portanto
b) e
c) como
d) pois
e) embora

RELAX
Triste realidade

Uma análise da evolução da relação de conquista e do amor do homem para a mulher, pelas músicas que marcaram época. Não é saudosismo, mas vejam como os quarentões, cinquentões tratavam seus amores. É por isso que, vira e mexe, vemos uma mulher nova enroscada no pescoço de um quarentão ou mais..
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Década de 30:
Ele, de terno cinza e chapéu panamá, em frente à vila onde ela mora, canta:
“Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa! Do amor por Deus esculturada.
És formada com o ardor da alma da mais linda flor, de mais ativo olor, na vida é a preferida pelo beija-flor….”
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Década de 40:
Ele ajeita seu relógio Pateck Philip na algibeira,escreve para Rádio Nacional e, manda oferecer a ela uma linda música:
“A deusa da minha rua, tem os olhos onde a lua,costuma se embriagar. Nos seus olhos eu suponho, que o sol num dourado sonho, vai claridade buscar”
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Década de 50:
Ele pede ao cantor da boate que ofereça a ela a interpretação de uma bela bossa:
” Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça.
É ela a menina que vem e que passa, no doce balanço a caminho do mar.
Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema. O teu balançado é mais que um poema.
É a coisa mais linda que eu já vi passar.”
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Década de 60:
Ele aparece na casa dela com um compacto simples embaixo do braço, ajeita a calça Lee e coloca na vitrola uma música papo firme:
“Nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que o meu amor, nem mais bonito. Me desespero a procurar alguma forma de lhe falar, como é grande o meu amor por você….”
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Década de 70:
Ele chega em seu fusca, com roda tala larga, sacode o cabelão, abre porta pra mina entrar e bota uma melô jóia no toca-fitas:
“Foi assim, como ver o mar, a primeira vez que os meus olhos se viram no teu olhar….
Quando eu mergulhei no azul do mar, sabia que era amor e vinha pra ficar….”
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Década de 80:
Ele telefona pra ela e deixa rolar um:
“Fonte de mel, nos olhos de gueixa, Kabuki, máscara. Choque entre o azul e o cacho de acácias,luz das acácias, você é mãe do sol. Linda….”
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Década de 90:
Ele liga pra ela e deixa gravada uma música na secretária eletrônica:
“Bem que se quis, depois de tudo ainda ser feliz. Mas já não há caminhos pra voltar.
E o que é que a vida fez da nossa vida? O que é que a gente não faz por amor?”
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Em 2001:
Ele captura na internet um batidão legal e manda pra ela, por e-mail:
“Tchutchuca! Vem aqui com o teu Tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão!
Eu vou passar cerol na mão, vou sim, vou sim! Eu vou te cortar na mão!
Vou sim, vou sim! Vou aparar pela rabiola! Vou sim, vou sim”!
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Em 2002:
Ele manda um e-mail oferecendo uma música:
“Só as cachorras! Hu Hu Hu Hu Hu!
As preparadas! Hu Hu Hu Hu!
As poposudas! Hu Hu Hu Hu Hu!”
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Em 2003:
Ele oferece uma música no baile:
“Pocotó pocotó pocotó…minha éguinha pocotó!
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Em 2004:
Ele a chama p/ dançar no meio da pista:
“Ah! Que isso? Elas estão descontroladas! Ah! Que isso? Elas Estão descontroladas!
Ela sobe, ela desce, ela da uma rodada, elas estão descontroladas!”
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Em 2005:
Ele resolve mandar um convite para ela, pelo rádio:
“Hoje é festa lá no meu apê, pode aparecer, vai rolar bunda lele!”
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Em 2006:
Ele a convida para curtir um baile ao som da música mais pedida e tocada no país:
“Tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha!!!
Calma, calma foguetinha!!! Piriri Piriri Piriri, alguém ligou p/ mim!”
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Em 2010:
Ele encosta com seu carro com o porta-malas cheio de som e no máximo volume:
” Chapeuzinho pra onde você vai, diz aí menina que eu vou atrás.
Pra que você quer saber?
Eu sou o lobo mau, au, au
Eu sou o lobo mau, au, au
E o que você vai fazer?
Vou te comer, vou te comer, vou te comer,
Vou te comer, vou te comer, vou te comer,
Vou te comer, vou te comer, vou te comer”
ONDE FOI QUE NÓS ERRAMOS?
SERÁ QUE AINDA É POSSÍVEL PIORAR?

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TERCEIRO COLEGIAL
Estudem - Sujeito - termos ligados ao verbo e ao nome, vocativo.

Constarão questões ob jetivas e dissertativas - com texto específico para cada questão, ok?

criado por paga60    17:39 — Arquivado em: ESTUDO

27/3/09

GALERA DO UNITRÊS

PRIMEIRO ANO
TEXTO -
Não se tratava apenas de uma mudança de comportamento. Seu jeito de ser também teria que mudar. O pai do garoto disse-lhe que as reclamações deveriam cessar, uma vez que ele não gostaria de passar vexame na escola, numa eventual reunião de pais. Este pai conhecia bem seu filho e sabia que as queixas dos professores com relação ao garoto tinham pertinência. “Eu nunca fui chamado à diretoria, meu filho. Em compensação, você!!!” E o garoto se defendeu: “Eu sou chamado, pai, porque eu participo. Você participava?” O pai de Albertinho, o qual havia estudado num colégio de internato, sabia que a discussão seria estéril. Com a chegada da mãe na cena da discussão, o pai foi logo encerrando: “Quando você acha que está sempre certo, você é tachado de dono da verdade.” – disse o pai, saindo da sala, deixando mãe e filho no meio dela. Aquela ficou sem entender nada, este, não, entendeu que o respeito aos pais é bom e necessário, principalmente para a tranquilidade da família. (Revista Sentinela. Nº 567, p. 12)

DICAS - Estudem PRONOME
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SEGUNDO ANO
TEXTO:
O sol já ia alto quando eles chegaram ao seu destino. O suor escorria pela face de todos do grupo. Os sacos para dormir e as tendas eram carregados pelos rapazes mais fortes. Levava-se a comida para a jornada em várias embalagens próprias que evitavam, assim, o esfriamento dela. Tudo havia sido planejado, com antecedência. Os rapazes revezavam-se no transporte das coisas mais pesadas. As meninas, por sua vez, tagarelavam o tempo todo e eram criticadas apenas para deixá-las furiosas. E elas ficavam! Foi num clima assim que a excursão chegou ao local onde acampariam e dividiram-se as tarefas, embora alguns, mais afoitos, quisessem fazer todo o trabalho. Tratava-se de distribuição justa de trabalho. A única coisa que não sabiam era o que os esperava dentro da noite naquele local ermo… E esse isolamento do grupo era desejado… (Contos Juvenis – Ed. Ática).

DICAS - Estudem tudo sobre VOZES VERBAIS - ativa - passiva - reflexiva
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TERCEIRO ANO

GALERA DO TERC EIRÃO - ESTUDEM CONCORDÂNCIA NOMINAL - NÃO HÁ TEXTO

UNITRÊS – OBJETIVO – TRÊS LAGOAS
TERCEIRO COLEGIAL – ENSINO MÉDIO.

ALUNO _______________

EXERCITE-SE:

Faça a Concordância Correta rasurando o termo incorreto.
01. Tenho [bastante / bastantes] razões para julgá-lo.
02. Viveram situações [bastante / bastantes] tensas.
03. Estavam [bastante / bastantes] preocupados.
04. Acolheu-me com palavras [meio / meias] tortas.
05. Os processos estão [incluso / inclusos] na pasta.
06. Estas casas custam [caras / caro].
07. Seguem [anexa /anexas] as faturas.
08. É [proibido / proibida] conversas no recinto.
09. Vocês estão [quite / quites] com a mensalidade?
10. Hoje temos [menas / menos] lições.
11. Água é [boa / bom] para rejuvenescer.
12. Ela caiu e ficou [meio / meia] tonta.
13. Elas estão [alerta / alertas].
14. As duplicatas [anexa / anexas] já foram resgatadas.
15. Quando cheguei era meio-dia e [meia / meio].
16. A lealdade é [necessária / necessário].
17. A decisão me custou muito [caro /cara].
18. As meninas me disseram [obrigada / obrigadas].
19. A porta ficou [meia / meio] aberta.
20. Em [anexo / anexos] vão os documentos.
21. É [permitido / permitida] entrada de crianças.
22. [Salvo / Salvos] os doentes, os demais partiram.
23. As camisas estão [caro / caras].
24. Seu pai já está [quite / quites] com o meu?
25. Escolhemos as cores mais vivas [possível / possíveis].
26. É [necessário / necessária] muita fé.
27. É [necessário / necessária] a ação da polícia.
28. A maçã é [boa / bom] para os dentes.
29. [Excetos / Exceto] os dois menores, todos entram.
30. A sala tinha [bastante / bastantes] carteiras.
31. Eram moças [bastante / bastantes] competentes.
32. Suas opiniões são [bastante / bastantes] discutidas.
33. João ficara a [sós / só].
34. É [proibido / proibida] a entrada neste recinto.
35. Bebida alcoólica não é [boa / bom] para o fígado.
36. Maçã é [bom / boa] para os dentes.
37. É [proibida / proibido] a permanência de veículos.
38. V. Exa. está [enganada / enganado], senhor vereador.
39. Está [incluso / inclusa] a comissão.
40. Tenho uma colega que é [meia / meio] ingênua.
41. Ela apareceu [meio / meia] nua.
42. Manuel está [meio / meia] gripado.
43. As crianças ficaram [meia / meio] gripadas.
44. Nunca fui pessoa de [meio / meia] palavra.
45. A casa estava [meia / meio] velha.
46. Quero [meio / meia] porção de fritas.
47. Vocês [só / sós] fizeram isso?
48. Fiquem [alerta / alertas] rapazes.
49. Esperava [menas / menos] pergunta na prova.
50. As certidões [anexa / anexas] devem ser seladas.
51. Mãe e filho moravam [junto / juntos].
52. As viagens ao nordeste estão [caro / caras].
53. Segue [anexo / anexa] a biografia que pediu.
54. Está [inclusas / inclusa] na nota a taxa de serviços.
55. Estou [quite / quites] com as crianças.
56. Procure comer [bastantes / bastante] frutos.
57. Os militares estão [alerta / alertas].
58. Muito [obrigada / obrigadas] disseram elas.
59. Pedro e Maria viajaram [sós / só].
60. Os rapazes disseram somente muito [obrigados / obrigado].
61. A lista vai [anexo / anexa] ao pacote.
62. É [necessário / necessária] a virtude dos bons.
63. Todos estão [salvos / salvo], exceto o barqueiro.
64. As janelas estavam [meio / meia] fechadas.
65. [Só / Sós] os dois enfrentaram a fera.
66. Examinamos [bastante / bastantes] planos.
67. Água de melissa é muito [bom / boa].
68. Para trabalho caseiro é [bom / boa] uma empregada.
69. Não é [permitido / permitida] a entrada de crianças.
70. Eles ficaram [sós / só] depois do baile.
71. Os cheques estão [anexo / anexos] aos documentos?
72. Examinamos [bastantes / bastante] projetos.
73. Os quadros eram os mais clássicos [possível / possíveis].
74. Os documentos vão [incluso / inclusos] na carta.
75. Seguem [anexas / anexos] três certidões.
76. Para quem esta entrada é [proibido / proibida]?
77. Coalhada é [boa / bom] para a saúde.
78. A coalhada dessa padaria é [bom / boa].
79. Maria passeou [sós / só] pelo bosque.
80. [Só / Sós] ela faria as lições.
81. Mais amor [menas / menos] confiança.
82. Hoje temos [menos / menas] lições.
83. O governo destinou [bastante / bastantes] recursos.
84. Eles faltaram [bastantes / bastante] vezes.
85. Tenho [bastantes / bastante] razões para ajudá-lo.
86. Seguem [inclusa / inclusas] a carta e a procuração.
87. As mordomias custam [cara / caro].
88. Esta viagem sairá [caro / cara].
89. As peras custam [cara / caro].
90. Aquelas mercadorias custaram [caro / cara].
91. Os mamões custaram muito [caros / caro].
92. As mercadorias eram [barata / barato].
93. Os mamões ficaram [caros / caro].
94. Não tinham [bastante / bastantes] motivos para faltar.
95. As crianças estavam [bastante / bastantes] crescidas.
96. O governo destinou [bastantes/ bastante] recursos.
97. Suas opiniões são [bastante / bastantes] discutidas.
98. Esta aveia é [boa / bom] para a saúde.
99. Pimenta é [boa / bom] para tempero.
100. É [proibido / proibida] a caça nesta reserva.
101. É [proibida / proibido] entrada.
102. A pimenta é [bom / boa] para tempero.
103. Água tônica é [bom / boa] para o estômago.
104. As crianças viajarão [junto / juntas] a mim.
105. Elas sempre chegam [junto / juntas].
106. Elas nunca saíram [juntas / junto].
107. A filha e o pai chegaram [junto / juntos].
108. Os fortes sentimentos vêm [junto / juntos].
109. Os alunos [mesmo / mesmos] darão à redação final.
110. Ela não sabia disso [mesmo / mesma].
111. Elas [mesmo / mesmas] fizeram a festa.
112. [Anexo / Anexos] estavam os documentos.
113. Estou [quite / quites] com a tesouraria.
114. Eles estão [quite / quites] com a mensalidade.
115 Ela está [quite / quites] com você?
116. A menina me disse [obrigado / obrigada].
117. Os computadores custam [caros / caro].
118. Permitam-me que eu as deixe [só / sós].
119. Eles ficaram [só / sós] depois do baile.
120. Agora é meio-dia e [meio / meia].
121. Bebida alcoólica não é [permitida / permitido].
122. Os guardas estavam [alertas / alerta].
123. Meu filho emagrecia a [olhos vistos / olho visto].
124. Vai [anexo / anexa] a declaração solicitada.
125. As certidões [anexos / anexas] devem ser seladas.
126. [Anexo / Anexos] seguem os formulários.
127. Os juros estão o mais elevado [possível / possíveis].
128. Enfrento problemas o mais difíceis [possível / possíveis].
129. Enfrento problemas os mais difíceis [possível / possíveis].
130. Visitamos os mais belos museus [possível / possíveis].
131. Nós [mesmo / mesmos] edificaremos a casa.
132. Eles são [mesmos / mesmo] responsáveis.
133. Ela [mesma / mesmo] agradeceu.
134. Tudo depende delas [mesmas / mesmo].
135 - Os alunos (mesmo / mesmos) darão à redação final.
136 - Elas (mesmo / mesmas) fizeram a festa.
137 - Ela não sabia disso (mesmo / mesma).
138 - Elas nunca saíram (juntas / junto), mas almoçam sempre (junto / juntas).
139 - É (proibido / proibida) a caça nesta reserva.
140 - Quero (meio / meia) porção de fritas.
141 - Esperava (menos / menas) pergunta naquela prova.
142 - Vossa Excelência está (enganada / enganado), Doutor Juiz.
143 - Bebida alcoólica não é (boa / bom) para o fígado
144 - As matas foram (bastante / bastantes) danificadas pelo fogo.
145 - Mãe viúva e filho moravam (junto / juntos) numa casa modesta.
146 - Não foi (necessário / necessária) ação da polícia.
147 - Seu pai já está (quite / quites) com o meu?
148 - Cumpri minha obrigação, (de maneiras / de maneira) que estou tranquilo.
149 - É (permitido / permitida) entrada franca a estudantes
150- Foram (condenadas/condenados) a ré e o réu.

1) Assinale a alternativa em que ocorreu erro de concordância nominal.
a) livro e revista velhos
b) aliança e anel bonito
c) rio e floresta antiga
d) homem, mulher e criança distraídas

2) Assinale a frase que contraria a norma culta quanto à concordância nominal.
a) Falou bastantes verdades.
b) Já estou quites com o colégio.
c) Nós continuávamos alerta.
d) Haverá menos dificuldades na prova.

3) Há erro de concordância nominal na frase:
a) Nenhuns motivos me fariam ir.
b) Estavam bastante fracos.
c) - Muito obrigada, disse a mulher.
d) Foi um crime de lesa-cristianismo.

4) Está correta quanto à concordância nominal a frase:
a) Levou camisa, calça e bermuda velhos.
b) As crianças mesmo consertariam tudo.
c) Trabalhava esperançoso o rapaz e a moça.
d) Preocupadas, a mãe, a filha e o filho resolveram sair.

5) Cometeu-se erro no emprego de ANEXO em:
a) Anexas seguirão as fotocópias.
b) Em anexo estou mandando dois documentos.
c) Estão anexos a certidão e o requerimento.
d) Anexo seguiu uma foto.

6) Há erro de concordância nominal na seguinte frase:
a) Vós próprios podereis conferir.
b) Desenvolvia atividades o mais interessantes possíveis.
c) Anexo ao requerimento a documentação solicitada.
d) Ele já estava quite e tinha bastantes possibilidades de vitória.

7) Assinale o erro de concordância nominal.
a) Maçã é ótimo para isso.
b) É necessário atenção.
c) Não será permitida interferência de ninguém.
d) Música é sempre bom.

8) Assinale a frase imperfeita quanto à concordância nominal.
a) O artista andava por longes terras.
b) Realizava uma tarefa monstro.
c) Os garotos eram tal qual o avô.
d) Aquela é a todo-poderosa.

9) Em qual alternativa apenas a segunda palavra dos parênteses pode ser usada
na lacuna?
a) Estudei música e literatura………………………. ( francesa / francesas )
b) Histórias quanto………………………… tristes. ( possível / possíveis )
c) Nem um nem outro……………………. fugiu. ( animal / animais )
d) Só respondia com …………………..palavras. ( meio / meias )

10) Marque o erro de concordância.
a) Os alunos ficaram sós na sala.
b) Já era meio-dia e meio.
c) Os alunos ficaram só na sala.
d) Márcia está meio vermelha.

11) Assinale a opção em que o nome da cor apresenta erro de concordância.
a) Tem duas blusas verde-musgos.
b) Usava sapatos creme.
c) Comprou faixas verde-azuladas.
d) Trouxe gravatas azul-celeste.

12) Aponte o erro de concordância.
a) Vi homem e mulher animados.
b) Era uma pseuda-esfera.
c) Encontramos rio e lagoa suja.
d) Regina ficou a sós.

13) Marque a frase com palavra mal flexionada.
a) Comprou camisas vermelho-sangue.
b) Assuntos nenhum lhe agravavam.
c) Não há quaisquer perspectivas.
d) Elas não se abrem por si sós.

14) (PROF.-MT) A frase em que a concordância nominal contraria a norma
culta é:
a) O poeta considera ingrata a terra e o filho.
b) O poeta considera ingrato o filho e a terra.
c) O poeta considera ingratos a terra e o filho.
d) O poeta fala de um filho e uma terra ingratas.
e) O poeta fala de uma terra e um filho ingratos.

15) (T.A.CÍVEL-RJ) “tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria
mesmo era escrever em português.”
Das frases abaixo, a que contraria a norma culta quanto à concordância
nominal é:
a) Tornou-se clara para o leitor minha posição sobre o assunto.
b) Deixei claros para o leitor meus pontos de vista sobre o assunto.
c) Ficou clara para o leitor minha posição e meus argumentos sobre o
assunto.
d) Ficaram claras para o leitor minha posição e argumentação sobre o
assunto.
e) Quero tornar claros para o leitor serem estes meus argumentos sobre o
assunto.

16) (TFC) Assinale a opção em que não há erro.
a) Seguem anexo os formulários pedidos.
b) Não vou comprar esta camisa. Ela está muito caro.
c) Estas questões são bastantes difíceis.
d) Eu lhes peço que as deixem sós.
e) Estando pronto os preparativos para o início da corrida, foi dada a
largada.

1. Complete os espaços com um dos nomes colocados nos parênteses.

a) Será que é __________________ essa confusão toda?
(necessário/ necessária)

b) Quero que todos fiquem ________________.
(alerta/ alertas)

c) Houve ____________ razões para eu não voltar lá.
(bastante/ bastantes)

d) Encontrei ____________ a sala e os quartos.
(vazia/vazios)

e) A dona do imóvel ficou __________ desiludida com o inquilino.
(meio/ meia)

2. (FUVEST) “Na reunião do Colegiado, não faltou, no momento em que as discussões se tornaram mais violentas, argumentos e opiniões veementes e contraditórias.”

No trecho acima, há uma infração as normas de concordância.

a) Reescreva-o com devida correção.
b) Justifique a correção feita.

3. Reescrever as frases abaixo, corrigindo-as quando necessário.

a) “Recebei, Vossa Excelência, os processos de nossa estima, pois não podem haver cidadãos conscientes sem educação.”

b) “Os projetos que me enviaram estão em ordem; devolvê-los-ei ainda hoje, conforme lhes prometi.”

4. Como no exercício anterior.

a) “Ele informou aos colegas de que havia perdido os documentos cuja originalidade duvidamos.”

b) “Depois de assistir algumas aulas, eu preferia mais ficar no pátio do que continuar dentro da classe.”

5. Reescrever as frases abaixo, corrigindo-as quando necessário.

a) “Faziam apenas dois meses que ela ficara viúva e mais de uma proposta de casamento apareceram; porém, deviam haver sérios motivos para ela recusá-las.”

b) “Se for levado em consideração as necessidades imediatas da escola, a reforma das instalações terão prioridade.”

6. Colocar: “C” quando correto, “E” quando errado

a) ( ) Amanhã se fará os últimos exames.
b) ( ) Restam-me alguns dias de férias.
c) ( ) Os Estados Unidos intervieram nos conflitos sul-africanos há alguns meses.
d) ( ) É necessária liberdade de expressão.
e) ( ) São crianças a cuja situação muita gente é insensível.
f) ( ) Envie algum dinheiro daquela casa de caridade.
g) ( ) Assisti e gostei muito daquele filme.
h) ( ) Não me pouparam esforços para que o rio fosse despoluído.

7. (CESBRANRIO) “Noites pesadas de cheiros e calores amontoados…”

Aponte a opção em que, substituídos os substantivos destacados acima, fica incorreta a concordância de “amontoado”.

a) nuvens e brisas amontoadas
b) odores e brisas amontoadas
c) nuvens e morros amontoados
d) morros e nuvens amontoados
e) brisas e odores amontoadas

8. (PUCCAMP) A frase em que a concordância nominal está correta é:

a) A vasta plantação e a casa grande caiados há pouco tempo era o melhor sinal de prosperidade da família.

b) Eles, com ar entristecidos, dirigiram-se ao salão onde se encontravam as vítimas do acidente.

c) Não lhe pareciam útil aquelas plantas esquisitas que ele cultivava na sua pacata e linda chácara do interior.

d) Quando foi encontrado, ele apresentava feridos a perna e o braço direitos, mas estava totalmente lúcido.

e) Esses livro e caderno não são meus, mas poderão ser importante para a pesquisa que estou fazendo.

9. (UNEB – BA) Assinale a alternativa em que, pluralizando-se a frase, as palavras destacadas permanecem invariáveis:

a) Este é o meio mais exato para você resolver o problema: estude só.
b) Meia palavra, meio tom - índice de sua sensatez.
c) Estava só naquela ocasião; acreditei, pois em sua meia promessa.
d) Passei muito inverno só.
e) Só estudei o elementar, o que me deixa meio apreensivo.

10. (MACKENZIE)

I. Os brasileiros somos todos eternos sonhadores.
II. Muito obrigadas! - disseram as moças.
III. Sr. Deputado, V. Exa. Está enganada.
IV. A pobre senhora ficou meio confusa.
V. São muito estudiosos os alunos e as alunas deste curso.

Há uma concordância inaceitável de acordo com a gramática:

a) em I e II
b) em II, III e IV
c) apenas em II
d) apenas em III
e) apenas em IV

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22/1/09

ORATÓRIA - A ARTE DE FALAR A UM PÚBLICO

INTRODUÇÃO

Falar em público, eis a questão! Na verdade, todos falamos “em público”. Quando se está, por exemplo, num restaurante, e uma pessoa conversa com outra na mesa, está falando “em público”, na acepção da palavra. O grande problema para alguns é falar “a um público”, ou seja, ser um orador e falar a uma platéia, a um corpo de jurados, a um povo, num comício… Nem todos possuem a facilidade para tal mister. Há pessoas que, quando obrigadas, passam por verdadeiro ato de tortura… O microfone “queima” na mão…
Este trabalho despretensioso não pretende ensinar ninguém a falar a um determinado público. Dentro de nossos conhecimentos e limites, até mesmo de nossa experiência, faremos observações a respeito. Se porventura servir como sugestão a alguém e este(a) aplicar e obtiver algum sucesso, estará coroado de êxito este simples esboço.
Talvez muitas pessoas não saibam que, para se ser um orador com relativo sucesso, há que se preparar, ter certas noções imprescindíveis, e, principalmente, ler muito. Não há bom orador que não leia, que não prepare o que irá dizer. E em quais situações? Bem, depende. Há o político, que fala em comícios, em solenidades públicas etc.; há o advogado criminalista, que fala em sessão de Júri; há o(a) empresário(a) ou o(a) executivo(a), que fala em reuniões de diretoria, enfim, o assunto será tratado de forma generalizada. Cada leitor interessado que adapte a cada situação, conforme seu interesse. E quais são essas noções imprescindíveis? É o que veremos doravante.

A APRESENTAÇÃO E A POSTURA DO ORADOR

Primeiramente, há que se ter em mente que a oratória não se resume em falar. O orador é o senhor da comunicação. E será, obviamente, o centro das atenções. Por isso, a comunicação exige um conjunto de elementos. E principia pela forma como a pessoa chega ao recinto (ou ambiente) em que irá falar, do jeito que se acomoda em uma cadeira, como caminha ou utiliza o espaço, a postura que terá em relação aos demais participantes do encontro. Tais ingredientes, embora não pareça, são determinantes. Prepara o público presente para aceitar ou rejeitar o orador.
Lemos, certa vez, uma comparação a respeito que, embora prosaica, encaixa-se bem - a roupa é a embalagem da pessoa. Quando damos um presente, o costume é colocá-lo numa bela embalagem. No fundo, sabemos que a embalagem do presente, bem apresentável, o estojo em que se acondiciona o presente impressionam tanto quanto o seu conteúdo. É a primeira imagem que passamos a quem recebe. O orador, pois, não pode e nem deve desconsiderar essa realidade. A sua “embalagem”, ou seja, a sua apresentação pessoal, terá reflexo na receptividade e na avaliação da platéia.
Portanto, um dos primeiros cuidados do orador é com a forma de se vestir, de se apresentar em público. Isso não significa - e principalmente para as mulheres - se “emperiquitar”. É estar bem vestido, de acordo com o ambiente. Um político jamais iria a um comício em zona rural vestido de terno e gravata! Entra aí o que denominamos de “bom senso”. É preciso que o orador saiba compatibilizar a roupa com o local e a oportunidade. O que jamais ele pode parecer é um ET, ou seja, uma pessoa totalmente estranha no recinto, chamativa, alguém que parece ter chegado de outro planeta.
Imaginemos alguns exemplos extravagantes: um advogado criminalista chega para uma sessão de Júri em camisa de mangas curtas. Uma advogada chega para uma audiência com pernas de fora e visíveis seios fartos - a atração estará nos dotes físicos à mostra, permitidos pela vestimenta, e não no conteúdo que apresentará na audiência. Um político visita um canteiro de obras de macacão, botas e capacete, para estar vestido tal qual os operários. Por isso, discrição e elegância, eis a receita. A atração será a oratória, que é o que deve ser percebido pelo público.
Em certas situações, o uso (pelo homem) do paletó é necessário. Por exemplo, orador que for para uma tribuna com paletó terá que o usar até o final de sua oratória. Ainda que esteja num ambiente em que o calor esteja insuportável. Jamais deverá tirar o paletó, desabotoá-lo, arregaçar as mangas da camisa, soltar a gravata, deixando-a folgada na gola da camisa, porque são procedimentos deselegantes, além de impertinentes. Esse tipo de comportamento, além da deselegância, demonstra desrespeito às pessoas que estão ali para o ouvir, uma vez que passa a elas que o seu bem-estar está em primeiro lugar. Basta que nos lembremos de sacerdotes ou militares que se acostumam com o rigor de seus uniformes, mesmo em dias quentes. Trata-se de hábito. E mais - o paletó deverá estar sempre fechado. Apenas o último botão fica livre. Nunca devemos usar paletó aberto em situações formais. E a gravata?
A gravata é um acessório masculino que precisa combinar em cores, em padrão, com o tecido da camisa e do paletó. Nada de gravatas em cores espalhafatosas. Ou com estampas de personagens de histórias infantis. O laço precisa ser bem formatado, ajustado e no lugar correto. Nó solto ou gravata torta, nem pensar! Passa ao público a aparência de desleixo. O comprimento deve ser exatamente na altura do cinto. (Curta lembra garçom (para que ela não fique esfregando-se no prato); longa, palhaço.).
Os sapatos, muito embora situem-se lá embaixo, são importantes, além de serem referências da personalidade da pessoa. Numa dessas estatísticas descompromissadas, geralmente realizadas em programas de TV, constou que boa porcentagem de mulheres (até surpreendente), ao conhecer um homem, olham para os…sapatos! Desconhecemos o motivo (não é fácil entender as mulheres), mas olham. Talvez pensem que um homem que cuida bem de seus sapatos cuidará também muito bem dela (Teoria falaciosa, porque - desculpem o humor macabro - há homens sem pés que se casaram!). Se os sapatos tiverem cadarço, cuidado. O pisar de um pé no outro em que o cadarço do sapato estiver solto pode ocasionar um acidente constrangedor. Imaginem o espírito de um orador que, logo na entrada, tropeça ou leva uma queda! Adeus discurso!
Desnecessário falar de unhas bem aparadas e cabelos alinhados, não é mesmo? Orador que entra “descabelado” já perde muito de sua credibilidade. público. Logo, postura, forma de andar, trejeitos, tudo terá que ser bem analisado, porque estará sendo observado e avaliado pelo público,

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ORATÓRIA - A ARTE DE FALAR A UM PÚBLICO- continuação

público. Logo, postura, forma de andar, trejeitos, tudo terá que ser bem analisado, porque estará sendo observado e avaliado pelo público, antes de ele pronunciar sua primeira palavra.
Cuidado com o material que carregar. Chegar ao local (Tribunal de Júri, sala de Diretoria, num palanque etc.) abraçado a uma montanha de papéis, sem ordenamento, sem capas, alguns caindo pelas laterais ou ficando totalmente esparramados na primeira mesa que aparecer é um procedimento extremamente condenável. O orador deve chamar a atenção pelos seus predicados de oratória, mas jamais por fatos outros que levam as pessoas a formularem um péssimo juízo ou que lhes distraíam a atenção.
“É, mas eu já vi algo parecido num Tribunal de Júri!!!”. Nós também. Isso é técnica de veterano, pessoas hábeis, seguras de si, com, digamos, “horas mil de oratória”, extremamente experientes. São casos excepcionais que não devem ser tomados como regra. Numa sessão de Júri, certa vez, um advogado experiente utilizou-se desse expediente. Simulou ser desorganizado, como forma de atrair a atenção e, quando começou seu discurso, surpreendeu a todos pela qualidade de sua oratória. Quem sabe um dia possamos utilizar desse mesmo expediente. Se o tempo existe é para nos demonstrar que há tempo por vir. Um dia, certamente, seremos experiente, seguro e, se a conveniência recomendar, poderemos utilizar-nos desse ardil. Enquanto isso não ocorre, melhor nos cuidar.
Evitemos o uso de telefone celular no ambiente. Quando o orador chegar ao local em que se realizará o evento, em que fará sua exposição, deve desligar o telefone celular. Mesmo os espectadores, porque o soar da campainha de um telefone celular atrapalha o orador, perturba os trabalhos e cria um clima de indisposição, pois, por mais mal educada que seja uma pessoa, ela jamais aceita a má educação dos outros.
Nunca chegue cedo demais ao evento. Nem tarde (isso é terrível!). Cedo, desgasta a imagem do orador, além de causar problemas para ele próprio, porque se dissipa a energia física e mental nesse processo de espera. Atrasado, pior ainda, porque demonstra desleixo, pouco caso. O ideal é chegar cedo a um local próximo ao de onde ocorrerá o evento, local em que se possa ficar confortável. Estará ele nas cercanias do local do evento e poderá, assim, chegar no horário determinado.
Se for um local em que deverá sentar-se, o orador deve tomar certas precauções. Se se jogar na cadeira, como se estivesse no sofá de sua casa. não demonstrará postura pública. Joelhos não devem ficar separados, mesmo para homens. O orador deve evitar sentar-se com pernas abertas (imaginem a mulher!!).
E já que tocamos nesse assunto, como dissemos, a palavra não é tudo na oratória. Há orador, principalmente em sua estréia, que não sabe o que fazer com as mãos, com pernas, pés, cotovelos etc. O que fazer com as mãos? Qual postura é melhor com pernas, pés e cotovelos?
As mãos, para quem sabe usá-las, é instrumento importante na comunicação. Servem, no mais das vezes, como complemento das palavras, da fala em si. Um gesto, um movimento com as mãos dizem, às vezes, muito mais que palavras. Portanto, nada melhor que as usar em favor do orador. E quem não sabe? Não deixe, pelo menos, que suas mãos o(a) atrapalhem. Quem não domina essa técnica, deve segurar um papel. Funciona. O orador pode até mesmo fazer algumas anotações que serão, uma vez ou outra, ligeiramente consultadas. Quando o orador se sentir mais seguro, vencidas as barreiras da timidez e da insegurança, poderá abandonar esse procedimento. Ou então repouse-as sobre o púlpito, sem, evidentemente, se debruçar sobre ele. Melhor elas ali, quietinhas, a servir para gesticulações inúteis ou grotescas. O orador deverá compensar com a entonação de voz. Ficar estático também é desaconselhável.
A estaticidade de um orador passa má impressão, além de não comunicar absolutamente nada. O orador agitado, por sua vez, também não impressiona positivamente. Equilíbrio e moderação, eis a solução. Movimentos devem ter significados. Não tendo, melhor não usar! Os movimentos, quando utilizados, devem comunicar algo. Contudo, não podem e não devem ser movimentos exaltados. Os tempos mudam, mudam-se as maneiras. Aqueles discursos de antes, em que o orador, principalmente político, se exaltava, gesticulava, impostava a voz, para dar a impressão de que incorporava os dizeres (o que tornava um verdadeiro “berreiro”) com microfone às mãos, ajoelhando-se, erguendo-se, pondo as mãos para o céu, é coisa do passado. Notou-se que demonstrava ao público, no mais das vezes, desequilíbrio, quando não desespero. Hoje, o orador deve passar credibilidade. Para isso, deve falar com calma (passa equilíbrio, firmeza, determinação, certeza do que fala). As mãos, ao gesticularem, não ultrapassam a altura da cabeça. Mão erguidas acima da cabeça denotam, geralmente, como dissemos, idéia de desespero, de descontrole. Elas devem ser usadas para completar idéias. Como tintas, dão cor às palavras. Se o orador disser, por exemplo, ” eu vejo…” - (coloca o dedo próximo aos olhos) - “No meu pensamento…” (encosta o dedo na cabeça), mas numa gesticulação sem gestos bruscos. Portanto, evitem-se gestos inúteis, que nada dizem, que só servem para distrair a atenção. Gestos de tamborilar os dedos na mesa, mexer no relógio, na aliança, coçar nariz, orelha, são movimentos irritantes, que descredenciam o orador e irritam a platéia.
O bom orador deve atinar para a posição dos cotovelos. Nunca devem ficar grudados ao corpo, porque leva ao encolhimento dos ombros. Passa a imagem de fraqueza. Se estiver sentado, nunca deve apoiar os cotovelos abertos sobre a mesa. Perde em elegância e estilo. Podem ser apoiados na mesa com as mãos junto ao rosto, quando ouve um aparte, o que simboliza atenção ao outro orador.
Pernas e pés são importantes. Antes de usar a palavra, normalmente, um orador nervoso, inexperiente, mecanicamente, desencadeia uma movimentação indesejada de pernas, cruzando e descruzando a todo instante, balançando o pé ininterruptamente. Isso é geralmente percebido pela platéia. Demonstra insegurança. Deve sentar numa postura correta, elegante. Impõe respeito. Imaginem uma mulher então, cuja roupa seja um vestido, cruzando e descruzando pernas, sentando com as pernas abertas!
Ao falar em pé, o orador deve manter uma distância de cerca de 20 cm entre os pés. Por que esse detalhe é importante? É imprescindível para o equilíbrio. Com os pés juntos, inevitavelmente terá, em alguns momentos, o corpo balançando na procura do equilíbrio, demonstrando desconforto, distraindo a atenção de quem ouve. Se separar demasiadamente os pés, perderá a estética e parecerá um leão de chácara ou um militar dando ordens de comando para seus soldados.
Durante o discurso, o orador deve evitar ao máximo de caminhar, salvo se absolutamente necessário para dirigir-se, por exemplo, a um quadro, a um monitor ou para entregar algo para uma pessoa na mesa de trabalho, etc. Seu andar, no entanto, tem que ser estritamente essencial. O orador que tem o costume, hoje, de ficar caminhando, indo e vindo, é um desastre.

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ORATÓRIA - A ARTE DE FALAR A UM PÚBLICO- continuação

Ao ser anunciado, obviamente, o orador deve se encaminhar para o púlpito, para a tribuna, para o local num palanque de onde deverá falar. Primeiro, cuidado com os fios soltos no chão, com degraus, se houverem, porque são verdadeiras armadilhas. Imaginem um tropeço ou uma queda… E, ao ser anunciado, passa a ser o centro das atenções. Não pode errar nesses segundos que antecedem sua fala. Por isso, deve examinar, primeiro, o terreno a percorrer para não cometer erros.
Sãos raros os oradores que possuem presença de espírito para, num desastre desse, ainda conseguir algo a seu favor. Isso é coisa de orador experiente. Lembramo-nos de um político que, ao tropeçar nos fios, foi ao solo. De imediato, pegou o microfone, ergueu-se e, encarando o povo, foi dizendo: “Quando chego a esta terra, meu primeiro gesto é beijar o solo desta terra que amo…” (Hoje, um discurso desse tipo demonstra demagogia) Outro, ao se dirigir para o povo, com o tradicional “Povo de Castilho”, errou e disse o nome de outra cidade. Foi espanto geral e constrangimento para os correligionários presentes. Remendou na hora, pois quando, ao errar, disse “Povo de Andradina”, continuou… “Povo de Murutinga”, “Povo de Itapura”, “Povo de Nova Independência” - isso eu diria, se estivesse no palanque do adversário, pois para juntar gente para ouvi-los, vão buscar nas cidades vizinhas, mas eu digo, de peito cheio- “Povo de Castilho”, porque aqui eu sei que está o meu povo para me ouvir”. Mas, como dissemos, isso é raridade, melhor não arriscar.
Assim, a gesticulação é importante, como vimos. E deve ser utilizada como reforço de idéias, para dar ênfase aos pensamentos transmitidos, para melhor convencimento. Auxiliam a passar a emoção, desde que bem executados. Mal executados, sem dúvida, é desastre certo. Como dizem os entendidos em oratória: “Quem escreve trabalha com a razão; quem discursa, opera com as emoções”.
Outro aspecto importante é o uso do microfone. Ele é um auxiliar indispensável, porque comunicação depende de o orador ser ouvido… e bem, com nitidez. Primeiramente, o melhor é que o microfone esteja apoiado num pedestal. Na mão é para cantor, que precisa se movimentar pelo palco, pois é parte de seu espetáculo. Para o orador não. Discurso em pé, o melhor é o microfone no pedestal. Razões? O orador pode assumir uma postura elegante, fica com as mãos livres para enriquecer seu pronunciamento, por meio da habilidade com os gestos. Se não tiver habilidade, repousa-as, como dissemos.
Às vezes, o orador não tem escolha. Tem que segurar o microfone. Primeiro, nunca o segure pelo fio, ou seja, uma mão no microfone e a outra no fio); segundo, nunca o segure com as duas mãos e, terceiro, jamais o segure com as pontas dos dedos. Apenas uma mão segura o microfone, com naturalidade. O fio fica solto. Segurar com as duas mãos, transmite a idéia de insegurança. Dá a impressão de que o orador, apavorado, encontrou algo a que se agarrar. Segurá-lo com as pontas dos dedos demonstra falta de intimidade com o equipamento e, lógico, inabilidade na arte de discursar. Por isso, segurar com uma mão apenas, envolvendo os dedos nele.
Sustentá-lo também de cima para baixo é erro grosseiro. Muito comum ver essa posição em programas de televisão. Se o microfone estiver no pedestal, pôr as mãos nele, apenas na hora em que vai iniciar sua fala, para ajustar a posição. Melhor seria até que se fizesse isso anteriormente, se o orador for o único a falar. E esse ajuste deve ser feito discretamente, tentando, o máximo possível, não chamar a atenção da platéia. Há o orador inexperiente que, ao fazer o ajuste, arranca o microfone, coloca-o de volta, dá-lhe com os dedos para ver se está funcionando, enfim, chama a atenção para si. Essa tarefa ou é do técnico, que monta o som, ou então do apresentador, no início, por exemplo, do comício, ou do protocolo, antes do início do evento. Orador nunca. É demonstração cabal de postura irregular, de desconhecimento da arte da oratória. Microfone no pedestal não deve ser tocado. Para que “pegar” nele, se ele está ali seguro? Como dissemos antes, se o orador segura no microfone que está num pedestal, passa a impressão de que se agarrou à primeira coisa que lhe apareceu pela frente. Insegurança total! É um mau começo para o orador.
O microfone deve ficar à frente da boca e a uma distância que demonstre ser o suficiente para que atenda a sua razão de existir. Se o orador o encostar demasiadamente na boca, ele capta até a respiração e passa a transmitir ruídos indesejáveis. Há oradores que falam tão próximo do microfone que o público ouve o orador ofegante, sua má respiração ao falar. Passa a imagem de afobado, de quem quer se livrar das palavras. Se deixar longe da boca, perde o sentido de o microfone existir. Qualquer platéia se irrita ao ver um orador com um microfone e ela a não ouvir nada!!
Outro aspecto importante - o retorno do som. Uma das caixas de som deve estar sempre voltada para o orador. Ele tem que ter o ouvido apurado. Ao pronunciar as primeiras palavras, ouvirá a si próprio e será capaz de identificar a distância exata entre boca e microfone, compatível com o ambiente e com o seu tom de voz. Quando não há retorno, o orador, geralmente, fica aos berros, pensando que o som está baixo, quando, na verdade, é o seu retorno que está fraco. Enquanto isso, ele está arrebentando os tímpanos de seus ouvintes. Quando isso ocorre, ele grita sem necessidade e acelera o ressequimento da boca, sem falar da imagem que passa, com as veias do pescoço estufadas, quase estourando a garganta. Por isso, se possível, sempre fazer um teste antes do evento, para verificar esses detalhes que, apesar de parecerem insignificantes, são essenciais para uma boa oratória. Espelhe-se nos grandes cantores e bandas. Mesmo com técnicos especializados que os acompanham no dia-a-dia, o bom cantor ou a boa banda sempre vai, antes do show, ao recinto do espetáculo para testar o som. Lembramo-nos sempre do que dizia um grande mestre de Português: só os ignorantes improvisam. O discurso é uma viagem e o bom orador deve planejar cada etapa dela para chegar ao final com segurança e satisfação.

O DISCURSO

Há perguntas que são comuns: como podemos preparar um discurso? Como iniciar um discurso? Como fazer as saudações? Usam-se anotações? Pode-se improvisar?
Primeiramente, como dissemos antes, se o discurso se compara a uma viagem, quando viajamos, claro, preparamos todo o roteiro. Da mesma forma devemos agir em relação ao discurso. Temos que ter em mente a necessidade de se ter um planejamento. Discurso nunca deve ser improvisado. Haja vista os discursos de improviso de nosso Presidente e suas conseqüências… Improviso pode existir sim, mas nas palavras, nos efeitos a serem produzidos no ato. Mas, a idéia central jamais pode ser improvisada.
Não tenha receio de anotações. Discurso nunca deve ser decorado. É uma temeridade. Corre-se o risco do esquecimento. Esquecer significa vexame certo. Depois, quem decora, normalmente, perde a naturalidade. Por isso, não há demérito algum ao orador que utiliza anotações. Principalmente se, na oratória, houver estatísticas, números, valores etc. Evidentemente, essas consultas precisam ser feitas sem que se perca a atenção do público.

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ORATÓRIA - A ARTE DE FALAR A UM PÚBLICO - continuação

Até mesmo há possibilidade de uma leitura, desde que não se estenda muito no tempo (digamos, deve levar um minuto). Se passar desse tempo, pode cansar o público e desinteressá-lo. Às vezes, há necessidade de se ler trechos mais longos, como, por exemplo, num Tribunal de Júri. Simples, o orador entremeia a leitura com comentários. Ou lança mão de um recurso muito válido - a pausa. O orador faz a pausa e olha para o auditório, como se recolhesse das pessoas a impressão sobre o conteúdo. Outro recurso é olhar de soslaio, de canto de olho no papel. Contudo, o ideal é a consulta com o papel na mão, dando a ênfase que o assunto exija, só que de forma teatralizada, sem deixar o público perceber que está lendo, digamos, despudoramente.
Se há alguém que o público não perdoa, esse é o enrolador. A pessoa chegada ao psitacismo. Aquele que fala, fala, fala, sem que haja lógica seqüencial, dá voltas e mais voltas e não chega a lugar algum, para a absoluta decepção da platéia. Como evitar? Estabelecendo previamente o roteiro: o que falar, tempo necessário, ter conhecimento das etapas.
Um discurso, normalmente, inicia-se com saudações: aos componentes da mesa de trabalho, num Júri (Juiz Presidente, Promotor etc.); ou a autoridades, ou à pessoa que, de acordo com o ambiente, seja o destaque do evento.
Aqui se exigem cuidados. Num evento festivo mais íntimo (aniversário de um amigo ou de alguém da família, jantar entre amigos), exige-se menos formalidade que em outros eventos, como, por exemplo, na posse de um Prefeito, de um Presidente de Clube de Serviço etc. Se o evento não tiver caráter oficial, há que se ser objetivo e simpático (Caro amigo, irmão, companheiro de todas horas, fulano de tal, permita que, em seu nome, preste minhas homenagens de afeto a todos os presentes” … e pronto, começa-se o discurso. Quando houver necessidade de dizer nomes, é indispensável que se tenham os nomes devidamente anotados, para não esquecer ninguém ou trocá-los - é algo imperdoável! Se o orador resolve saudar componentes de uma mesa, deve saudar todos, sem exceção. Até mesmo se houver entre eles alguma pessoa com quem o orador não mantenha boas relações de amizade. Questão de elegância e educação. Contudo, melhor é o recurso em que se cita um da mesa e em nome dele se saúdam os demais. Evita a indelicadeza de esquecer alguém. Além do mais, hoje, o público geralmente é ansioso e não possui paciência suficiente para esperar a nominação de cada um da mesa. Isso pode se tornar enfadonho e causar desinteresse.
O orador deve estar atento para não cometer gafes no tratamento. Quando há a necessidade de se saudar mais de uma pessoa, todos devem receber o mesmo tratamento, salvo, obviamente, o respeito pelos títulos dos cargos. Se numa mesa há o Prefeito, o Promotor, dois advogados, uma Diretora de Escola e um Presidente de Associação, obviamente, deve-se iniciar a saudação pela autoridade de maior hierarquia - “Excelentíssimo senhor Prefeito Municipal, senhor fulano de tal; Excelentíssimo senhor Promotor Público, Doutor fulano de tal; Excelentíssima senhora Professora Fulana de Tal, Diretora da Escola tal; ilustríssimos senhores doutores fulano e beltrano; ilustríssimo senhor fulano de tal, Presidente da Associação tal.” Não cabe numa solenidade, por mais simples que seja, rasgos de intimidade, do tipo: ” Meu caro Prefeito Municipal e amigo, fulano de tal; minha amiga fulana, Diretora da Escola tal; caros colegas de luta, Doutor Fulano e meu amigo beltrano…” É tremendamente deselegante estabelecer diferenças onde não as há, como é o caso citado nesse exemplo dos advogados. Ambos devem ser tratados por “doutor”. Por que para um é “doutor” e para o outro o tratamento íntimo- “meu amigo” ?. No ponto de vista da estética e da elegância do discurso, todos devem ser equiparados.
Outro perigo - o exagero na saudação. Primeiramente, elogios longos cansam o auditório. Eles só “encantam” quem os recebe. (Há algumas pessoas, incrivelmente, que, se pudessem, quando o orador parasse de falar dele para dirigir-se a outro, diriam sem pestanejar: “Por favor, continue falando de minha pessoa…”); depois, o cuidado ao se atribuir qualidades para as pessoas em que a própria platéia sabe que não são verdadeiras. Isso constrange o próprio homenageado. É, de fato, por demais constrangedor uma pessoa ficar elogiando, exaltando qualidades que o próprio homenageado sabe que não tem. Outro aspecto - o elogio demasiado. O orador não percebe, no mais das vezes, que ele faz uma apologia de uma pessoa em detrimento das demais. Estas, evidentemente, terão um de dois sentimentos: ou ficam enciumadas ou se sentem desprestigiadas. Cabe ao orador ser cativante e ter a bonomia da atenção de todos os presentes.
Quanto ao discurso em si, em nossas aulas, no curso médio ou no superior, aprendemos a estruturá-lo. Para alcançar êxito em seu empreendimento, o orador deve ter em conta certas regrinhas básicas que não vamos focalizar

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ORATÓRIA - A ARTE DE FALAR A UM PÚBLICO - continuação

aqui, porque não é o objetivo deste escorço “ensinar” alguém a discursar.
Em resumo, o bom orador deve ter conhecimento do assunto de que vai falar; conhecimento da platéia a quem vai se dirigir; dominar as etapas pelas quais percorrerá ao longo do seu discurso; estar com corpo e voz descansados; alimentar-se (comida leve) no dia do evento e escolher a roupa adequada ao ambiente.
Todo orador precisa passar para a platéia estar absolutamente seguro ( mesmo que não esteja, a princípio). Certa feita, num Júri, um advogado, certamente inexperiente, iniciou seu discurso pedindo desculpas ao Juiz Presidente, ao Promotor, aos jurados, pelo fato de não saber falar muito bem. Confessou sua deficiência. Obviamente, nada mais a se esperar de seu discurso. Os próprios jurados nem prestaram mais atenção. Ficaram retidos no pensamento deles, certamente, os argumentos da acusação. Houve um desestímulo total aos jurados. Mesmo que seja verdade, não se deve dizer. O bom orador, de chofre, mostra segurança ao dirigir-se ao local de sua fala, com ar confiante, de forma simpática, sem gestos espalhafatosos, sem demonstrar nervosismo. Muitas vezes, o bom orador, antes de dizer qualquer palavra, pára, e, por alguns segundos, passa os olhos pela platéia, como se quisesse reconhecer cada uma das pessoas que ali estão, para, depois, iniciar sua fala.
Lembramo-nos muito de um adágio que era dito por um amigo jornalista (Seo Isael) - o texto jornalístico deve ser como a saia da mulher bonita: curto para chamar a atenção e comprido o suficiente para cobrir o assunto. Assim deve ser o discurso.
Nervosismo - eis o inimigo do orador principiante. Não só do principiante, mas, de certa forma, todos ficamos nervosos pela expectativa que se apossa antes do início de qualquer discurso. Isso é normal. Por isso, o início do discurso é importante. A fase de saudação deve ser encarada como forma de “acomodação” dos nervos. Depois, quando chegar o momento exato de apresentar os argumentos, o orador deve se transformar, ganhar confiança, força, tornar-se brilhante. È preciso que aprendamos a dominar os nervos. Respirar fundo faz bem, concentrar-se, antes de falar, enviando fluxos positivos para o cérebro é outra coisa que costuma dar certo.
Cuidado com a água. Houve casos em que o orador levou para a tribuna um copo de água. Salutar, sem dúvida. Porém, armadilha para inexperiente. Antes de começar a falar, que é um momento meio tenso, o orador costuma beber um pouco de água, para deixar a “garganta” molhada e evitar que a boca resseque. É um período de ansiosidade. O que fazer? Molhar os lábios, ingerir, de forma lenta, um gole de água. O nosso orador acima referido bebeu vários goles e depressa. Resultado… engasgou. A platéia esperando e o orador engasgado, tossindo em desespero. Passados alguns minutos, ainda tinha que “limpar” (pigarreando) a garganta para falar. Foi um vexame.
Já dissemos - e reiteramos - que o silêncio é amigo do orador. O silêncio comunica. A pausa desencadeada no momento certo, em que o orador corre os olhos pelo ambiente, com olhar firme, costuma fascinar o auditório. Esse recurso é riquíssimo para quem aprende a utilizá-lo. Precisa de treino, mas vale a pena.
Finalmente, o orador estando na tribuna, arrumado, com voz limpa, inicia seu discurso. Este deve ser como dizia o “Seo Isael” - curto para chamar a atenção e comprido o suficiente para cobrir o assunto.
Hoje, já não se usam mais os tipos de discurso ainda utilizados por um Fidel Castro, por um Leonel Brizola, que ficam horas falando. O orador, para usar um jargão popular, deve ser curto e grosso. Ele deve terminar seu discurso e sentir que a platéia gostaria de que ele continuasse. Como diziam os antigos: a pessoa, para saber exatamente o volume de alimentos a comer, se sair da mesa com fome, comeu a quantidade certa. O público, quando o orador encerrar sua fala, deve ficar com aquele gostinho de “quero mais”. Deve lamentar que o orador tenha encerrado seu discurso. Ficará na expectativa de poder ouvi-lo falar novamente. A televisão possibilitou um aprendizado inconsciente a todos nós - a pressa em receber a mensagem. Não houve empatia entre orador/ouvinte, a atenção se esvazia. A interação deve ser rápida e eficiente. Rapidez não significa aqui falar, atropelando as palavras, como fazia o então deputado Eneas, quando candidato a Presidente e com tempo curtíssimo na televisão. O bom orador deve usar as palavras certas, ou seja, cada palavra pronunciada deve atingir o alvo em cheio, proporcionar um efeito fantástico. Até o silêncio, como vimos, colabora. O discurso tem que ser objetivo, eficiente, eficaz, acrescentando sempre algo ao conhecimento das pessoas.
Por isso, é preciso exercício. Exercício de dicção, porque não se concebe um bom orador falar comendo os “S”,

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ORATÓRIA - A ARTE DE FALAR A UM PÚBLICO -continuação

falando palavras pela metade. Como está em moda - tolerância zero com esses aspectos. Ler mais. A leitura é imprescindível para um bom orador. E da leitura que podemos retirar belas idéias, frases com efeito para usar em nossos discursos. E a leitura propicia principalmente um aumento de palavras no nosso vocabulário ativo. Oradores há que enfeitam seus discursos com belas figuras de linguagem, com belos pensamentos citados por pensadores respeitados, utilizam versos de poetas conhecidos e mesmo expressões populares de forma inusitada. E evita que o orador utilize frases feitas, desgastadas, que irritam quem ouve. Há oradores que ainda querem usar determinados adágios populares absolutamente anacrônicos, do tipo: “quem não tem cão, caça com gato” // quem sai na chuva é para se molhar./// melhor prevenir que remediar. etc. E julgam que produzem efeito positivo!!!
Já imaginou um orador, pregando religião, falando a centenas e centenas de pessoas e, de repente, faz um suspense ao dizer: “Quero agora lhes dizer algo de suma importância…” pára, encara o povo, com olhar firme… E o povo, lógico, aguardando ansiosamente o algo de suma importância que ele vai dizer. E o orador complementa: ” em terra de cego, quem tem um olho é rei!” . E pára aí. Obviamente, decepção total. Não era o esperado pelo público. É algo desgastado, que o povo está cansado de ouvir. Se ele tivesse, na seqüência, acrescentado, por exemplo: “mas, esse dito popular não nos serve, porque em nossa terra até os cegos enxergam por meio da palavra de Deus e isso nos torna todos reis, reis leais ao nosso Rei maior, que é Deus!” - com certeza, teria se saído muito melhor.
Para finalizar este escorço, lembremos brincadeiras e piadas no transcurso do discurso. Por mais solene que seja um discurso, sempre cabe uma certa dose de humor. Isso, muitas vezes, faz com que o ouvinte relaxe um pouco. Logo após esses momentos de relaxamento, o orador consegue que o ouvinte se fixe novamente no discurso. Há uma trégua capaz de, na volta, prender ainda mais a atenção da platéia. Contudo, cuidado com a piada, com a brincadeira, para evitar constrangimentos. Nunca se deve brincar, referindo-se a uma pessoa especificamente. Todos podem rir. A pessoa visada também ri… por educação, mas, no fundo, o orador acabou de ganhar um inimigo mortal!!! Ninguém gosta de ser ridicularizado na frente dos outros. Piada então pode ser algo terrível. Se o orador contar uma piada já conhecida ( e a maioria assim o é), está arriscado a ele próprio ter que rir sozinho, para não ficar ainda mais sem graça. Piada tem que saber ser contada. Do contrário, o efeito é descomunal. Sorrisos por educação. E não há nada pior para um orador. Segundo os entendidos, no lugar de uma piada, de uma brincadeira, o melhor recurso é contar uma história real, curiosa ou engraçada, ligada ao tema. Daí dizermos que leitura é essencial e imprescindível. Só tem algo para contar quem lê. E ao orador cabe utilizar desse recurso com maestria e perfeição. Mas, com preparo, certo de que, ao contar, todos rirão, ou julgarão a história interessante, sem ter que passar pelo vexame do sorriso amarelo ou do riso estampado no rosto… por piedade.
BIBLIOGRAFIA
1- Informação. Linguagem. Comunicação - Debates Comunicação- Ed. Perspectiva.
2- Kothe, Flávio R - A Alegoria - Ed. Ática.
3- Othon, M. Garcia - Comunicação em Prosa Moderna - FGV
4- Revista Prática Jurídica - Ed. Consulex
5- Manual de Comunicação Oral e Marketing Pessoal
6- Diversos Autores - Júri - As Linguagens praticadas no Plenário - Ed. Aide
7- Câmara, J. Matoso - Manual de Expressão Oral e Escrita - Ed. Vozes
8- Branco, Vitorino Prata Castelo - O Advogado no Tribunal do Júri - - Ed. Saraiva
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